SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 00:21

Caminhando, caminhando sempre …

 

Caros Leitores volto hoje ao Vosso convívio, já com alguma saudade, devo reconhecer. No entanto também com alguma ansiedade pois a importância desta escrita mede-se pelo impacto no Vosso sentir e nas mudanças ou confirmações que ela determina. Enfim a eterna angústia de quem tenta comunicar sem ter o retorno dessa comunicação.

 

Portugal está à beira de um ataque de nervos. Pudera, chegou a hora de pagar a factura e infelizmente quem fez as compras já se pôs ao fresco, deixando a conta para os vindouros. O plano consistia em adiar o pagamento para as calendas gregas, mas a história encarregou-se de abreviar o saldar da dívida, apanhando-nos desprevenidos e de bolsos vazios.

 

Começa a levantar-se uma surdina motivada por interesses políticos e outros, tentando aliciar-nos para a memória curta. Sobre esta matéria recomendo-vos um artigo brilhante de Vasco Pulido Valente, publicado n´O Público, de 4 de Setembro. Felizmente que ainda há gente inteligente e de bom senso em Portugal. Roma e Pavia não se fizeram num dia. Adiante.

 

As férias são sempre uma grande oportunidade para fazermos coisas agradáveis. A praia, o campo, a montanha, os passeios, tudo isto promove a prática do exercício e o nosso corpo agradece. Com o início das actividades profissionais, as aulas e os compromissos começa a ser mais complicado, para os adultos, encontrar tempo para a prática física regular. Chega-se tarde a casa, os miúdos tem actividades, os avós tem que tomar conta dos netos, enfim a vida volta ao seu corre-corre habitual. Parece que o tempo não estica e tudo é tão importante?!, de tal forma que não há espaço à prática do exercício.

 

E, no entanto, é preciso que o nosso corpo se mexa. O exercício tem que passar a fazer parte do nosso dia-a-dia. É fundamental gastar calorias e movimentar os músculos. Numa perspectiva de prevenção; a prática física é a melhor maneira, e a mais barata, de prevenir a doença civilizacional, isto é, aquela que é causada pelo sedentarismo, alimentação incorrecta, stress, ansiedade, entre outros factores que decorrem desta nossa vida apressada. Se pensarmos, agora numa perspectiva curativa, naqueles que já sofrem de diabetes, hipertensão, doença vascular cerebral, alterações das gorduras no sangue, baixa concentração mental, ansiedade e depressão, podemos garantir que a prática do exercício permitirá um controlo mais fácil de todas estas patologias. 

 

O 1º passo é tomarmos consciência da importância da prática física. Quem trabalha de forma árdua e competitiva precisa de um espaço de descompressão física e mental. A prática regular do exercício melhora a qualidade de vida já que diminui a ansiedade, diminui os pensamentos depressivos e, tão importante, retarda a demência, por aumentar as capacidades cognitivas, os “scores” de inteligência e, pelo aumento da concentração, a capacidade de executar tarefas. Assim se explica o sucesso dos ginásios e dos centros de treino, frequentados, na maioria dos casos, por uma população activa, competitiva, jovem, citadina e consciente destes benefícios.

 

Mas se pensarmos em quem tem doença, a informação é um passo fundamental na motivação para a prática física. Nomeadamente as pessoas com diabetes devem saber que o exercício diminui o aumento da glicemia nocturna, promove uma sensibilidade acrescida à insulina e, sobretudo, aumenta o consumo do açúcar, levando à diminuição da glicemia e produzindo assim a tão ambicionada descida do açúcar e, por consequência, da hemoglobina A1c, tão familiar e tão importante no controlo deste problema.

 

Também os Doentes com patologia coronária – angina de peito, enfarte – terão que ser esclarecidos no sentido de associar a prática do exercício regular à baixa da tensão arterial, à diminuição da frequência cardíaca, ao aumento do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias e à melhoria da interligação entre os pulmões e o coração, oxigenando-se melhor e optimizando a relação entre a frequência cardíaca e a quantidade de oxigénio que é distribuída a todo o organismo.

 

Outro passo fundamental; avaliar qual o tipo de exercício que cada um deve praticar. Aqui há uma regra de bom-senso que é suposto decidir. Devemos fazer o exercício que podemos fazer, isto é, aquele que o nosso corpo permite. Entram aqui variáveis como o histórico em relação à prática física, o tipo de patologia que se tem, quais os objectivos que queremos alcançar quando iniciamos esta caminhada e, não menos importante, onde residimos e que tipo de equipamentos possuímos.

Faço aqui um parêntesis para lamentar a pouca importância que as nossas autarquias atribuem à massificação da prática física. Claro que há os pavilhões gimnodesportivos, as piscinas, mas uma pista para caminhar, com locais para fazer alguns exercícios de ginástica, cuidada e vigiada e com alguma dimensão, não existe com a frequência que deveria. Não raro vejo pessoas a caminhar, e eu próprio o faço, por estradas com muito trânsito, nos passeios das cidades e, às vezes, fazendo gincana por entre os vários obstáculos que vão surgindo.

 

Deixando para trás as queixas, é suposto também pensar qual o tempo mínimo para a prática física. Está consensualmente aceite que 150minutos por semana, num exercício ligeiro a moderado (caminhada) é um bom começo, ou então 75 m/semana numa prática intensa e consumidora de calorias. No entanto, mais do que esta contabilização, é importante o sentido da continuidade, ou seja, não vale a pena fazer uma semana e parar 3, pois todo o benefício se perde.

 

Para finalizar, prometendo desde já voltar a esta matéria, recomendo vivamente a caminhada, em passo rápido, de forma a manter o coração num ritmo de até 90 pulsações por minuto, de preferência com companhia, durante 45 minutos e 4 x semana. Deixo aqui uma nota para as pessoas com diabetes que administram insulina; não se esqueçam que devem diminuir, em 50%, a insulina que administram antes do exercício. Se administrarem a insulina de manhã e fizerem a caminhada à tarde não devem diminuir a dose mas sim fazer um pequeno reforço alimentar antes de sair, evitando assim uma eventual hipoglicemia durante o exercício.

 

Boas caminhadas para todos.

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