SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 12:25

A Assunção de Nossa Senhora

A Igreja Católica, celebra a 15 de Agosto a Solenidade Litúrgica da Assunção de Nossa Senhora. Esta verdade é dogma de Fé a partir do dia 1 de Novembro de 1950, proclamado pelo Papa Pio XII. A Assunção de Nosso Senhor era já celebrada antes da proclamação do dogma, transmitida pela tradução escrita e oral da Igreja. Os protestantes apesar de acreditarem que Maria foi Tabernáculo vivo da divindade, não aceitam que tivesse sido elevada ao Céu em corpo e alma e não tivesse, portanto, sido sujeita à corrupção do sepulcro. Será que podemos dizer que Nossa Senhora não «morreu»? Não é bem isso, uma vez que isso não desmerece a figura ímpar de Maria; simplesmente se afirma que não sofreu a corrupção. Tradicionalmente diz-se que Maria «adormeceu» – fala-se, portanto de dormição, ou seja «morte suave». Vários apóstolos e discípulos, entre S. Dionísio Aeropagita, discípulo de S. Paulo e primeiro bispo de Paris, falam-nos da dormição de Nossa Senhora. Diversos Padres da Igreja referem que os Apóstolos saíram milagrosamente de Jerusalém antes da dormição de Maria e ao saberem do acontecimento voltaram em massa para lhe prestar a última homenagem. São Tomé, que chegou depois, pediu para ver o corpo de Maria; ao retirarem a pedra do sepulcro encontraram este vazio. Tendo sido Nossa Senhora isenta do pecado original, ela estava imune, não propriamente à morte, mas sim das suas consequências, isto é, da corrupção. Se Jesus, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem morreu, Maria também teria de morrer, só que, como seu Filho, não sofreu a corrupção. Ao definir o Dogma da Assunção de Nossa Senhora o Santo Padre usou a expressão «terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma», deixando assim em aberto as duas opiniões teológicas, uma que afirma que Nossa Senhora não chegou a morrer, outra que morreu e foi imediatamente ressuscitada, ambas aceitáveis aos olhos da fé. E, se Maria não precisava de morrer, porque é que aconteceu algo parecido com a morte? Podemos assinalar duas causas: uma, para se assemelhar ao seu Filho, outra, para nos ensinar a bem morrer. Como foi pois a ressurreição de Nossa Senhora? Quando os Apóstolos abriram o túmulo e não encontraram o corpo de Maria, deduziram que tinha ressuscitado e se o corpo não estava lá é porque tinha sido levado para o Céu. Esta é a diferença entre a Ascensão de Jesus e a Assunção de Maria. Jesus subiu ao Céu pelo seu próprio poder; Maria foi elevada ao Céu pelo poder de Deus. É compreensível que se Maria foi concebida sem pecado original – Imaculada na sua Conceição – a sequência lógica era que fosse elevada ao Céu em Corpo e Alma. Podemos colocar-nos esta questão: qual filho, se pudesse, não preservaria a sua Mãe da morte? Ora Jesus podia, logo quis, logo assim aconteceu. Se tinha recebido de Maria o Seu Corpo, ao preservá-la imune, estava a preservar a Sua própria Carne. A verdade da Assunção de Nossa Senhora não consta explicitamente dos Evangelhos, mas sempre foi ensinada em todas as escolas de Teologia e, entre os Doutores, não há discordância. A Assunção é uma consequência lógica da Encarnação. Portugal pode gabar-se de sempre ter tido fé nesta Verdade. As Catedrais portuguesas são dedicadas a Nossa Senhora da Assunção, muitos séculos antes da proclamação do dogma. Se nos Evangelhos não se encontram referências a esta Verdade, podemos encontrá-las no Antigo Testamento, nomeadamente no Apocalipse, versículo 12, 1: «Depois apareceu um grande sinal no Céu: uma mulher revestida de Sol, tendo a Lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça». Deus, pela Assunção de Nossa Senhora conserva a harmonia na Sua obra. Se favoreceu Maria com a Imaculada Conceição, continuou a favorecê-La desde a predestinação, até depois da morte, elevando-a ao Céu em corpo e alma.

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