SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 21:26

Síndrome da Estupidez

Hoje fora daqueles dias esquisitos, sem energia ou sequer vontade de ver multidões. Almocei sozinha. A comida bem confecionada aliviou-se a alma contorcida, tal como a esperança que eu tive ao ver clãs de famílias já há muito desventradas. Sentia a saudade dum passado sem regresso, que agora se transformava em solidão gélida.

Antes de me ir embora, passei pelos lavabos e deparei cum uma pessoa a fumar dentro da casa de banho. Se já não estava bem-disposta, pior fiquei ao ver tamanha falta de respeito. Avisei o sucedido mas a dita cuja já tinha debandado porta fora. Coimo é possível que haja tanta porcaria instalada nestes cérebros? Que falta de humanidade existe nestes pensamentos invejosos. É o cada um por si. Será que custava muito a cidadã ir fumar para a rua? Estava a chover, logo, podia ir para debaixo das esplanadas da praça.

Na semana passada fui assistir à apresentação duma nova banda de baile, num centro recreativo do nosso concelho, Tudo estava espetacular, até o recinto fechado começar a ficar intoxicado de fumo de tabaco. Perguntei à organização o porquê de tal coisa, visto ser proibido fumar-se em locais fechados. As respostas foram várias, desde que não era permitido fumar-se; outro a encolher os ombros e outro a dizer-me para eu ir lá fora respirar. Mas se o fizesse voltaria ao mesmo. Contra a minha vontade preferi abandonar a festa.

Antes do fim do ano que passou fui a uma casa noturna da nossa cidade. Pela primeira vez fui revistada e proibiram-me de entrar com uma garrafinha de água. O segurança com ar de poucos amigos disse que só a podia levar se tivesse lá medicamentos, caso contrário eu podia comprar lá dentro outra garrafa de água. Expliquei-lhe que por questões de saúde precisava de andar sempre com água. Insisti se era legal tal coisa e ele disse-me que eram regras da casa. Pedi para falar com o gerente. Apareceu-me uma senhora jovem com a mesma conversa. Então eu respondi, que na pista de dança estava um cancro, devido ao excesso de fumo de tabaco e eu tinha de estar calada. Finalmente lá fui com a minha garrafa de água em caso de exceção, mas revoltei-me com tamanha descriminação.

Que fique bem claro, que nada tenho contra todos os fumadores, mas sim tenho contra quem continua a fechar os olhos a estes casos. Falo em nome da saúde, porque já a perdi e sobrevivi com muito esforço e agora estou muito sensível aos cheiros principalmente do tabaco. Eu também tenho direito a divertir-me, eu e todos os que já passaram pelo mesmo que eu. Talvez sejamos uma minoria, mas respeitem-nos se faz favor!

Madalena Monge

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