SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 00:05

Nudistas Desprevenidos

Sábado de manhã aparece um rosto pintado com cores berrantes, apetecíveis. Uma tela enfeitando as paredes do café. Atrás do balcão a jovem mocinha desespera de revolta. Ao lado no exterior, jaz uma noite mal-amada, com vidros quebrados, puro vandalismo. Acabou-se o descanso dumas férias merecidas, que deixam de ter efeito. Não há vigilância no jardim da cidade. Durante o dia alguns empoleiram-se nos brinquedos infantis. Será que cresceram rápido demais e agora voltaram à doce infância?

O rio transpira de sujidade, não chove, as águas estão estagnadas, as margens defeituosas de tanto lixo, isto encontra-se em muitos lados onde o rio passa. Apenas os patos tentam dar um ar mais agradável.

Na televisão correm a trote publicidades aos hipermercados. Uns não precisam de cartão, outros têm descontos em cartão e há o outro que utiliza crianças para sensibilizar as audiências ao dizer não a isto ou aquilo. Mas na realidade esse tal diz não aos trabalhadores que já despediu e continua a despedir. É a crise, a máquina que chega e substitui o homem. É a modernidade dum país corrupto e mal cheiroso.

O desemprego continua a crescer, mas os desalojados estão instalados em campos de estudos. De pasta na mão, subsídio de almoço e transportes andam a aprender coisas novas. O centro de emprego tem de alugar mais sítios porque os que inicialmente se pensava que chegariam estão lotados. O Governo quer pessoas com habilitações, mas para quê?

Não seria melhor colocar esses desalojados ao serviço da comunidade? Existe tanta falta de sensibilidade no coração dos homens do poder.

Toca a sirene, há fogo na serra, há fogo na floresta, as aldeias estremecem de terror ao ver as labaredas cada vez mais mortíferas.

Perdem-se vidas, casas e bens. Ninguém espera tal má sorte. Os bombeiros andam na luta contra o demónio. A artilharia de combate é reles. O país é pequeno, mas o fogo cobre muita área e muitas vezes não se consegue chegar a todo o lado. E muito já fazem eles. Os pequenos sofrem, os grandes alimentam-se da dor. As leis favorecem os incendiários, os bandidos. Triste sina. Triste alma que vagueia em busca de uma luz ao fundo da rua. É uma nudez desprevenida que abrange toda uma sociedade dividida entre ricos e pobres dum país que amanhã acordará com mais aumentos na gasolina e gasóleo.

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