SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 01:23

2 Euros hoje e 5 Tostões ontem

Com a chegada da feira de São Gregório a cidade muda de cor. E este ano a feira veio parar ao centro, junto ao terminal rodoviário. Digo e eu e diz muita gente, que este espaço é sem dúvida o melhor. No início pensei que tudo ficava apertado, mas pelo que já vi, há lugar para todos. Nunca faltam os carros de choque, o carrossel “ a Selva” e o Canguru Louco para os adultos. Este ano até se instalou cá a “ Casa Assombrada”

Para as crianças existem muitos atractivos, o que decerto fará as delícias dos mais novos. Pipocas, churros, algodão doce e as farturas, bifanas e muito mais, alimentam qualquer esfomeado a caminho da discoteca.

Artesanato, não da terra, (o que também seria bom estar exposto), mas cada qual sabe de si. Pronto, vem o feirante com seus artigos do Oriente e de áfrica. Não há danças do ventre, mas bules de chás, calças largas, bolsinhas e muito mais. E há que saber comprar e discutir preços, porque com estes vendedores há sempre a possibilidade de negociar a um preço de amigo.

Se pensam os mais jovens de cabelo rebelde que esta feira tem poucos anos, enganam-se. Contou-me a minha mãe que ainda se recorda com alegria quando a feira de Março era no Largo do Carmo (junto ao Hospital velho). Há cerca de 60 anos, era ela menina de vestido de chita, ia com seus pais e irmãos à feira.

Nessa altura já existiam os carros de choque, o carrossel “ A Selva”, os aviões, a Esfera da Morte, o circo sem animais e os Dom Robertos. Ali junto à actual Escola Prática de Polícia (antes o quartel da

tropa) encontravam-se os restaurantes, um do Senhor Pina. (já falecido)

Também não faltava a vendedora de pinhão em fiada e tantos outros produtos da época. As mocinhas casadoiras aproveitavam a feira para comprarem coisas para o enxoval.

Havia a barraquinha do porquinho-da-índia. Ou seja, numa barraca redonda estava o bichinho fechado, onde à sua volta tinha várias casinhas. Quando o destapavam ele ia para uma casinha e a pessoa que tivesse a rifa com o número dessa casinha, ganhava um prémio. Bastante original.

Uma voltinha de carrossel custava 5 tostões, enquanto agora custa 2 euros. Minha mãe contou-me estas histórias, com tamanha saudade e tenho a certeza que a geração dela ao ler este artigo irá ter na sua memória outras lembranças que poderão contar aos seus netos e bisnetos.

E se por ventura alguém se queixar do barulho da música da feira onde ela se encontra agora, que diriam os pobres doentes que não tinham calmantes para as dores como há hoje?

Por isso não deixem a feira de Março morrer, é uma tradição que se tem de preservar, como é tradição ir comprar uma fartura do Pina, entrar no Tut e sentir o cheirinho no ar, chegar a casa e beber uma caneca de café e lamber os dedos do açúcar da fartura.

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