SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 05:42

Passear em Tempo de Crise

Saímos na noite escura, em busca da aventura prometida. A noite, a tombar para a madrugada estava bela e fresca. No jardim, as flores dormiam, as águas do rio voavam levando os sonhos dos patos ali residentes. Renascendo do nada, um veiculo de longo curso acordou-nos.

Entramos, acomodamo-nos e partimos rumo a Espanha. O nosso destino seria Madrid e Toledo. Até avistarmos solo espanhol tínhamos uma manhã inteira pela frente. Não custou nada, porque há sempre alguém que nasceu com o bichinho para a comédia e nos alegrou.

O nosso hotel devidamente bem centrado na cidade de Fuenlabrada, a 12km de Madrid, contemplou-nos com uma refeição aprazível. Durante a tarde tivemos direito a uma guia turística que nos levou a visitar a Praça de Espanha, sem dúvida mais encantadora, que a nossa Praça de Espanha em Portugal cheia de barracas e tascas onde não comia nem que me pagassem.

O espaço era agradável, onde muitas pessoas aproveitavam a tarde de finais de Verão, deleitando-se com as estátuas de Dom Quixote e Sancho Pança, junto do lago, serpenteado de canteiros de flores brancas.

Visitamos também o Palácio Real, onde morou sua Excelência o Rei Dom Carlos e sua prezada família. Esta casinha tem três mil quartos, coisa pouca, para a alta realeza.

Contemplamos as fachadas do Museu da Ópera e do Museu do Prado. A praça de Touros “ Las ventas” continuava impune e majestosa; Também o Estádio Santiago Barnebéu fez parte do nosso roteiro.

Ao passarmos junto da estação de caminhos-de-ferro La Tocha benzi-me por todos aqueles que perderam as suas vidas, devido ao ataque terrorista há uns anos.

Apesar do cansaço e do não saboroso jantar ainda tivemos força de vontade par andarmos uns bons quilómetros a uma feira popular. Terminamos a noite a olhar o verdadeiro fogo-de-artifício, mais de meia hora de luzinhas brilhantes rasgando aquele céu.

No dia seguinte assistimos a um amena demonstração de publicidade, que se diga de amena não teve nada, porque o homem ganhava à comissão e nós não compramos o que ele queria. Lamentamos, mas no folheto diz que somos obrigados a assistir e não a comprar. E não é vergonha nenhuma não comprar qualquer produto. A maior vergonha é adquirir o que não precisamos só para ficar bem na fotografia.

Abandonamos os narizes torcidos dos vendedores de máquinas e colchões e rumamos até Toledo. Cidade banhada pelo Rio Tejo, com suas casas antigas acastanhadas; as ruas estreitas e quentes; a bonita Catedral e as lojinhas de “recuerdos”.

Foi sem dúvida um fim-de-semana bem passado. Económico e satisfatório. Pudemos conhecer outras culturas, desligarmo-nos um pouco da rotina diária. Não é fácil aturar os vendedores, mas superamos tudo, porque se levássemos o nosso carro, os 55€ que pagamos na viagem, nem para os combustíveis chegava.

Dou-vos outro exemplo: um maço de tabaco custa entre 3 a 4€. Se fumar 2 maços por semana, gasta logo cerca de 8€. Por mês faça as contas. Ou seja, fica com menos dinheiro na carteira apanha mais catarro, o seu humor fica amarelo e com maior probabilidade de ficar doente.

O que será melhor? Pense. Não temos sete vidas como os gatos. Deixo-vos com uma frase que o nosso amigo Nuno, o cómico, disse: “ Esta é uma maneira de poder conhecer outros lugares, mesmo em tempo de crise”.

aguianegraenator@gmail.com

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