SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 20:28

Miau, Miau!

 

Dizem os velhos aldeãos que o cão é o melhor amigo do homem. Talvez seja verdade esta profecia, mas existem excepções.

 

Na maioria os homens bravos do machismo português optam por ter um cão, porque o podem levar à caça e é sempre um bom dono para proteger a sua quinta ou vivenda isolada. Quando avistam um gato, preparam o seu pontapé certeiro para maltratarem o bicho. Mas os gatos são meigos, carinhosos e asseados, o que falta a muito corpo e mente musculados do sexo masculino.

           

As mulheres extremamente duras e secas ao lidarem com esses bichinhos peludos transformam a sua agonia em doçura à muito escondida, mas que aos poucos se vai descobrindo. É uma aprendizagem lenta, mas que em muitos casos é um sucesso.

           

Na minha infância lembro-me dos gatos que apareciam na fazenda, sorrateiros e bravios.

           

Já tive duas gatas, mãe e filha. O meu pai era um homem forte e por vezes dizia: “- quem diria que o Monge ia um dia comprar comida para estes bichanos, mas agora não vendia nenhuma gata nem por todo o dinheiro do mundo”. Em dias de verões escaldantes o meu pai dormia no quintal e elas dormiam junto dele.

           

Um dia o meu pai deixou-nos e anos mais tarde as minhas gatinhas adoeceram e também nos deixaram. Um episódio marcante, porque a filha esperou que a mãe chegasse ao veterinário e no outro dia apareceu morta com a patinha em cima de sua mãe igualmente morta.

           

Neste momento tenho a Alzira e um outro gato. A Alzira só lhe falta falar. É calminha e faz-nos a companhia que alguns humanos nunca fizeram.

           

Aqui bem perto de mim, a minha vizinha Fernanda é um exemplo do que é saber acolher e tratar destes animais. Já teve 8 gatos e agora tem somente 4. Esta mulher dá-lhe todos os cuidados, desde levá-los ao veterinário, amamentá-los quando é necessário, brincar com eles. Hoje fui ao seu quintal ver o mais novinho, o Soneca, que ao andar tem desequilíbrios. É lindo, branco como a neve. A Fernanda contou-me que a mãe estava prenha, mas foi envenenada e o Soneca bebeu leite contaminado. Sobreviveu apesar de tudo, mas infelizmente os outros irmãozinhos morreram. Ela cuidou sempre dele. Nunca o abandonou por ele ser deficiente. Esta atitude significa muito para mim. É um acto de verdadeiro amor. Com o Soneca, vive a Belinha, a kicas e o Menino, felizes num quintal limpinho e tranquilo. Têm brinquedos apropriados e alimentar esta bicharada hoje em dia não é fácil, mas o coração e a força de vontade fala mais alto. Lá em casa todos gostam deles.

           

Para terminar: se um gato, ou, um cão se cruzar nas vossas vidas, não lhes façam mal. Se não poderem ficar com eles, por favor entreguem-nos a uma instituição de protecção dos animais.

 

aguianegraenator@gmail.com

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