SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 23:02

Tudo o que perdemos

 

Durante a nossa vida perdemos muitas coisas. Desde a chupeta que desapareceu sem sabermos como, até à carteira escondida na mala nos corredores do metropolitano. Questionamo-nos tantas vezes o porquê destas perdas. Somos duramente agarrados aos bens materiais. Altos consumidores de bugigangas das bancas dos mercados semanais e das lojas de custo menor. Gostamos de enfeitar o nosso esqueleto com berloques e vestidos floridos. Somos gente que passeia vaidosa em cima de saltos altíssimos mesmo que sofremos de dores loucas nas costas. Tudo pela beleza doentia.

           

Perdemos o silêncio porque os chamados pássaros nocturnos exibem as suas proezas do pé no acelerador em lugares habitacionais a altas horas da madrugada.

           

Perdemos postos de trabalho, caímos em depressão profunda e tomamos anti-depressivos para tentarmos sair do buraco.

           

Perdemos o amor da nossa vida, se é que alguma vez existiu, e carregamos o espírito de tempestades avassaladoras.

           

Perdemos a saúde e agora? Se tivermos uma doença crónica, somos imediatamente condenados à morte. Especulam-se nomes das maleitas.

             

O ser humano ainda não tem a capacidade de ter fé, de encarar a vida com mais esperança. E pela minha experiência de vida neste aspecto, cada vez encontro mais gente que nos vai enterrando sem estarmos mortos. Dizem coisas sem pensar que nos estão a atingir-me profundamente. Parece que temos de ser eliminados deste planeta.

 

As palavras de afecto até se podem ouvir, mas a carga negativa nos seus olhos derrota o que foi dito.

 

Se somos crentes em algo superior a nós, temos de interiorizar a nossa religiosidade e ter fé. Lutar pela fé. Cantar, bater palmas, caminhar, meditar, porque a fé move montanhas. Em vez de especular, rezemos, pelos que mais precisam. Não interessa que sejam religiosos, ortodoxos, jeovás. O mais importante é encherem os vossos corações de fé. Porque o próprio doente com a sua força de vontade, a sua coragem pelo amor à vida, rejuvenesce dia a dia e eu sei do que falo.

 

Este artigo foi baseado num filme que assisti ontem na televisão. Um casal num incêndio perdeu os seus bens materiais. A mulher lamentava-se e o homem disse: – “ perdemos tudo, mas temo-nos um ao outro!”

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