SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 11:47

Descarrilar de Sentimentos

 

Eis-me chegada duma Lisboa com cheiro a sardinha assada e a desejos sombrios. Dou comigo inquieta na viagem de regresso, abafada pelas massas humanas suculentas de uma vaga nos autocarros, porque os comboios mão saíram dos seus carris.

           

Esperança benzida dum lado, do outro um muro feito com tijolos de ansiedade. Adiante, que sábado já amanhecia. Vesti a camisola cinzenta e sai decidida a aguentar e a marcar presença no dia que foi sem dúvida um dia marcante para mim.

           

Juntei-me à arruada e fomos todos juntos acompanhados ao som da Banda Filarmónica de Torres Novas e os escuteiros. Não faltou nada, tivemos o apoio atento da polícia e dos bombeiros.

           

Por volta das 10h da manhã entrei naquele espaço enorme e bem estruturado. Vendas de bolinhos e bebidas, rifas e actividades sem fim. Ao palco foram os responsáveis por este projecto “ Um Dia Pela Vida” falar, agradecer e prevenir.

           

 É preciso prevenir, fazer rastreios e exames e não ficar sentado à espera que o cancro pare. Basta de teimosia, de quem sabe mais que os médicos, das plantinhas e das bebidas “ milagrosas”. O cancro não espera, mas sim galopa pelo nosso corpo se não o atacarmos.

           

Depois convidaram os vencedores a entrar e caminhar no espaço dedicado às luminárias. Mal entrei ali, senti uma enorme emoção. Pela primeira vez na minha vida chorei os meus amigos que foram vencidos pela doença. Os meus sentimentos escorreram dentro de mim. Não sei explicar esta sensação. Parecia que estava noutra dimensão e cada um deles estava ali junto de mim. No final recebemos uma salva de palmas e uma flor dada por uma criança.

           

Ausentei-me durante a tarde quente, porque necessitava de descansar a alma e o corpo. À noite fui com uma amiga, também vencedora e ambas subimos ao palco, em conjunto com outros tantos, perante uma assembleia generosa.

 

Ouvimos o hino e um poema declamado por o Professor Eduardo Bento. Com o palácio às escuras, iluminado pelas luminárias senti de novo o descarrilar dos meus sentimentos.

           

Agora penso que cada vez que entrar naquele sítio, vou sentir e reviver toda a emoção que vivi nesse dia 4 de Junho de 2011.

           

Agradeço com sinceridade, os abraços que recebi. Considero-me uma vencedora, mas os vencedores têm de continuar a lutar. Só assim se chega á meta, seja ela qual for.

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