SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 16:53

Endiabrados e Amorosos

 

No primeiro dia olharam-me de lado. Lembravam-se da prima que morava longe deles e que todos os anos os visitava. Mas mantiveram a distância escondendo os rostos atrás da saia da mãe.

 

Ao longo dos dias aquela timidez inicial deu lugar a uma abertura singular. Após juras prometidas, eis que me vejo de mão dada com eles numa animada conversa, rua fora.

 

O sol no princípio de Maio quando se desprendia das almofadas cinzentas colava-se ao nosso corpo e tínhamos de nos refugiar debaixo das sombras das árvores do parque infantil.

 

Do baloiço ao escorrega, atravessando a ponte de corda bamba com força e valentia, terminavam na casinha encantada, onde imaginavam histórias e interpretavam os seus personagens.

           

Sob o meu olhar atento saltitavam como abelhinhas de flor em flor, no jardim tranquilo. Um olá aos patos e às tartarugas que o avô encontrou e as deu ao lago do jardim.

           

Sentados na esplanada saboreando a leveza daquele dia, ora, acocorados a caçar aranhiços vindos não se sabe de onde.

           

Após um jogo de matraquilhos sem vencidos, nem vencedores, mais um lago para contemplar. Sabiam de cor os nomes dos peixes que habitavam ali. Para mim, eram apenas peixinhos.

           

Antes de voltarmos para casa, demos uma espreitadela á feira do livro, que tinha também uma exposição de Banda Desenhada muito interessante e didáctica. Eles queriam livros de cavalos e princesas, mas acabamos os 3 a beber um sumo fresquinho, enquanto eu lhes explicava que muitos meninos no Mundo não tinham sequer água para beber. Ou seja, um só sumo deu perfeitamente para todos nós, sem birras, teimosias ou gritos.

           

O fim-de-semana chegou e com ele veio a feira embrulhada em carrosséis, exposição de passarinhos e coelhinhos, cavalos e bois.

 

Pegaram na minha mão e numa correria desenfreada levaram-me a ver os cavalos. Fiquei espantada com tamanha sabedoria ao mencionarem-me todas as raças dos bichos. Penso, que para ele o resto da feira não lhe interessava, somente aquele espaço: o picadeiro empoeirado, onde cavaleiros desfilavam em seus cavalos. A cerca dos bois com ar de poucos amigos, que visitei quase de fugida. Ali vi, que era de facto onde aquele menino de 7 anos se sentia nas suas sete quintas. Disse-me que queria ser cavaleiro. Faz colecção de cavalos de plástico e panfletos de touradas.

           

Ela com os seus 5 aninhos, segura de si, não larga a sua malinha cor-de-rosa cheia de perfumes, batons, vernizes, óculos de sol. Não perde a oportunidade de se mimar.

           

Aprendi muitas coisas com eles. Ensinei outras tantas. Sentem-se bem no meio da natureza, entre barrancos (riachos) e terra seca. Voam por esses campos alentejanos como cegonhas em busca dum pouso certo. São irmãos. Ele chama-se Pedro. Ela chama-se Inês. Entre eles, para além das brigas normais, têm uma grande cumplicidade um com o outro.

             

Neste Dia Mundial da Criança desejo um dia muito feliz cheio de chupas de melancia e gelados de chocolate para os meus queridos priminhos que vivem Moura.

           

Termino este meu artigo com uma frase de minha autoria “ para uma criança se sentir feliz, não precisa de receber presentes volumosos e caros, acompanhados de histeria enlouquecida de pais sem paciência.

 

Basta apenas oferecerem amor, apoio, educação ao longo da sua vida.

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