SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 19:25

Deus escreve certo por linhas tortas

 

Aos meus vinte anos disse que um dia mais tarde, aspirava sair de casa, viver em Lisboa ou então viajar numa missão de ajuda humanitária. Por essa altura ainda me encontrava a estudar e tinha poucas preocupações a não ser esforçar-me para ingressar no Ensino Superior.

           

Um dia fui caloira, fiz a praxe e tirei um curso, ao qual ficou sempre na gaveta. Não me culpo por não ter seguido, um sonho que morreu após o último dia de aulas. Os anos passaram mas as bases já tinham sido esquecidas e o pânico devorou-me a alma quando fui colocada na cidade invicta. Vi tudo o que tinha para ver, mas a perda de apetite e de sono atirou-me novamente para outro tipo de trabalho. Não me importei, porque sempre fui muito independente e não sentia vergonha de ter um diploma e estar atrás dum balcão no bar duma escola secundária.

           

O relógio do tempo continuou a seguir em frente e continuei a querer um dia sair daqui. Por vezes ia de comboio até ao Oriente e afogava-me em compras no Parque das Nações para colmatar a solidão e alegrar-me com a multidão apressada.

           

Após umas férias espectaculares, voltei ao mesmo de sempre: trabalho/ casa e vice-versa. Ao fim de semana discotecas e bares. Era tudo muito bonito, mas sentia que me faltava algo.

           

E um dia sem esperar aconteceu-me o que todos sabem. Fui para Lisboa, para fazer os tratamentos que tanto necessitava, para matar o bicho.

           

Actualmente estou reformada por invalidez, passo os meus dias aqui em casa. Tenho prazer em fazer as lides domésticas. Adaptei-me a este estilo de vida. Claro que também tenho os meus momentos de aborrecimento, como é óbvio.

           

Agora tenho estado ausente durante a semana e continuo a estar. Voltei a Lisboa, ao mesmo lugar, de onde comecei, para equilibrar as consequências que os tratamentos me deixaram. Mas estou bem. É apenas uma manutenção que tenho de fazer ao meu corpo.

           

Amigos leitores, obrigado pelo vosso carinho e amizade, pois sei que têm perguntado por mim.

           

Entendi finalmente, que quanto mais dizemos o que não queremos, acontece-nos um dia por outros caminhos e é bom que aceitemos as coisas, para conseguirmos chegar ao cume da montanha. Fixem uma coisa que costumo dizer: “ isto não é para quem quer, é só para quem pode”. (risos)

 

Um abraço.

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