SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 00:18

Magníficas Obras

 

Terminou hoje a XII Mostra Internacional de doces e licores conventuais, no Mosteiro de Alcobaça.

           

Como sempre e apesar do tempo chuvoso, as pessoas aderiram em massa a este evento. É difícil resistir a tanta variedade exposta nos claustros do mosteiro. De Aveiro vieram as trouxas-de-ovos moles; de Beja os queijinhos doces; de Alfeizerão o pão-de-ló delicioso.

            

Do estrangeiro veio a França, a Bélgica, Espanha e o Brasil com as suas doçuras e licores.

           

Como o ar estava abafado um passeio no jardim recordou-me primaveras em flor, amores perdidos, folhas caídas, beijos derramados. E na igreja imaculada eis que vejo os túmulos de Dona Inês de Castro e Dom Pedro. Grandes momentos de História jazem ali eternamente, tal como o amor deles.

           

Com uma vontade louca de correr e gritar rompi varanda fora e contemplei o céu rasgado por nesgas de sol. Respirei fundo e desci as escadas em caracol até à cozinha. Encontrei uma chaminé grandiosa que fez meu olhar subir mais além. Por baixo uma fogueira acesa e três bancos serviam de pose para a fotografia. Naquele curto espaço de tempo, pude apreciar a obra feita através da mão do homem. Ali sim, estavam horas de trabalho, de suor, dedicação e amor.

           

Por isso, as tradições devem manter-se, sejam, em doçaria ou em qualquer outra coisa. A cultura dum povo rege-se pelas obras que construíram, por aqueles que por aqui passaram e ao fim de milhares de anos, a obra continua viva. Um turista procura sempre visitar a parte velha da cidade. Mas essa zona histórica deve estar arranjada e não em ruínas, como acontece em alguns sítios da nossa cidade.

 

O ser humano tem de cuidar do seu património e não sujar e maltratar o que os nossos antepassados construíram. Vi no mosteiro de Alcobaça gente sem formação cívica e cultural, empoleiradas nas pedras. Com tanta segurança espalhada no recinto, pena não se lembrarem de colocar lá alguém.

 

Regresso a casa, com alguns docinhos para saborear com um chazinho bem quentinho numa destas tardes frias de Novembro.

 

Madalena Monge

 

aguianegraenator@gmail.com

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