SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 23:56

Campos de Girassóis

Este ano, devido ao frio intenso do Inverno, não fui passar o Natal ao meu querido Alentejo. Optei por ir com minha mãe no mês de Junho. E em boa hora o fizemos.

Após uma viagem longa e atribulada por terras de nuestros hermanos, eis que surge a planície alentejana. Foi com enorme satisfação que dei um abraço forte aos primos que me foram buscar a Serpa. Estava muito calor nessa tarde. O meu corpo absorveu muita água e os meus olhos absorveram todo o encanto do casario branco das ruas de Pias. Nem um papelinho no chão. Os alentejanos têm gosto de arranjar as ruas, de caiar as suas casas, de manterem a tradição, mesmo apostando nas novas modernices.

O cansaço de vir presa horas sem fio num autocarro de turismo, que, em abono da verdade de turismo não tinha nada, tomou conta de mim, mas finalmente ao fim de 2 anos sem estar com a família paterna era agora uma realidade.

Um dia bastante especial para mim, foi ir ao Monte do Pisanito. Para quem não saiba um monte no Alentejo é um lugar, com poucas casas.

E à volta da mesa, os netos, primos, sobrinhos, tios, mães, pais e um casal amigo de Lisboa petiscavam sorridentes a bela sardinha assada; o saboroso carapau; lagostins e caracóis, conversando e recordando, os que já partiram; os que fizeram história. E esses serão sempre recordados, é como se estivessem ao nosso lado, partilhando das nossas conversas. É uma sensação de paz e saudade.

Como todos sabem num família há sempre alguém que se destaca, ora pelo seu feitio, ora pelas brincadeiras que faz aos mais novos. Hoje escolhi o meu primo Armindo. Antes de mais quero enaltecer a sua vida, o seu trabalho como guarda-florestal que foi, palmilhando serras e montados sempre em alerta máximo. Actualmente dedica o seu tempo de reforma a tratar dos seus cavalos, da sua horta, das suas abelhas e não só.

Era primo direito de meu pai e entre eles havia uma profunda amizade. Mas o meu primo Armindo sempre gostou de me pregar partidas. Lembro-me que uma vez me colocou vestida dentro dum bidão cheio de água; numa noite de Verão ia eu a entrar com pezinhos de lã e ouvi um estrondo: resultado uma tampa duma panela atrás da porta.

Antes de voltar para Torres Novas, pedi-lhe para me ensinar a andar de cavalo. Ele disse que sim, claro. Desde criança que via os cavalos e os burros na cerca e sempre tive medo de me aproximar deles, mas desta vez queria superar esse medo.

O meu primo Armindo trouxe o Rouxinol, um dócil cavalo. Com umas ajudas lá me sentei na sela e o meu querido primo puxou pelas rédeas e deu voltas e voltinhas comigo e com o bicho. No fim disse-me: “- passaste a este teste, já estás pronta para fase seguinte. Agora olha em frente!”. Segui o seu conselho e não reparei que ele não estava a segurar as rédeas. –“Ai que medo”, pedi aos santinhos todos para ele me ajudar e ele matreiro disse que “ – não é preciso, o Rouxinol já sabe o caminho”. O pânico cresceu em mim e tive de sair daquela aula de risota para o resto do pessoal. Até um ciganito parou para ver o espectáculo exclamando “ – ai senhor ela não sabe andar a cavalo!”

Sentindo as pernas bambas, recebi uma salva de palmas pelo meu esforço enquanto a minha querida amiga Celeste me amparava. Até poderia mostrar-vos uma foto, mas prefiro mostrar uma foto que tirei ao meu primo aquando ele dizia que o meu chapéu era feio. Mas, o que ele não esperava era que eu cumprisse a promessa que lhe fiz. E ai está. (risos)

Deixei os campos de girassóis voltados em direcção ao sol e nós regressamos ao Ribatejo com uns dias ricos de harmonia e alegria.

A toda a família e amigos um grande abraço cheio de carinho.

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