SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 17:09

O meu vizinho Maurício

 

Gosto muito de conversar com pessoas de idade, principalmente aquelas que já ultrapassaram os setenta e tal. Quando vou conhecer algum sítio, para além dos monumentos, são as pessoas de idade que me encantam, que me levam a perguntar-lhe coisas da terra e não só.

           

Felizmente aqui no bairro onde resido e apesar dos grandes infortúnios recentes que se tem passado, alguns velhos vão resistindo como fortes guerreiros ferozes. 

           

É o caso do meu vizinho Maurício. Tem a bonita idade de 83 anos e diz-me ele a sorrir que: “ – a coisa melhor é viver, o mundo é bonito!” 

           

Este homem nasceu em 1926 na Ferraria, uma aldeia do concelho de Gavião, perto de Abrantes.  Aos 36 anos uns amigos caçadores disseram-lhe que cá poderia ter emprego na Fábrica da Fiação e Tecidos. E lá vem o jovem Francisco Maurício procurar melhores condições de vida para Torres Novas. Antes viveu noutro bairro da cidade, mas depois mudou-se para o Bairro Américo Tomás, agora Bairro da Cabrita, mas para nós é sempre o Bairro da Companhia.

           

Pai de 4 filhos, 8 netos e 2 bisnetos. É sportinguista ferrenho, nunca larga o rádio aquando joga o seu clube. Ocupa os seus tempos livres a cuidar da sua hortinha, dos seus pombos. Rabeca a sua cadela de estimação segue-o para todo o lado.

           

Quando o tempo o permite vai visitar a sua terra e diz-me que comia muitos feijões frades, mas não gosta de doces.

           

Também já foi a Madrid ( Espanha)  e gostou muito daquela cidade e de tudo o que viu na periferia.

           

Aqui dá-se bem com os vizinhos e é um homem atento e hábil. Vejo-o todos os dias passar à minha rua, com o seu carrinho de 2 lugares em busca de uma sombra; ou então a tirar algumas ervas daninhas. E sem ninguém lhe pedir, o meu vizinho Maurício, limpou a zona da ribanceira frente ao meu quintal.  Fiquei sensibilizada com tamanho acto. Disse-me logo que não o fez para receber algo em troca.

           

Fê-lo porque o espaço era um atracão para ratos, ratazanas, cobras e demais bicharada rastejante.

           

Fiquei contente e emocionada, pela sua força de vontade, fazendo inveja a muita malta nova que anda por aí. Ele é um exemplo de longevidade, de amar a vida, tal como ela se lhe apresenta. Tem as suas maleitas. Problemas de próstata e há pouco tempo foi operado a um quisto facial. Mas ele tem cuidados com a sua saúde o que é de louvar.

          

Como o dinheiro se gasta e o meu vizinho Maurício não o aceita, falei com ele e é com muita estima que lhe escrevo estas palavras: Eu e minha mãe agradecemos a sua ajuda, caso contrário teríamos de continuar á espera que a Câmara enviasse alguns homens para limparem isto, ou, então pagar a alguém, para que o trabalho fosse feito. Desejamos-lhe que continue cá por uns tantos quantos anos. Parabéns por ser o homem mais idoso deste bairro e conserve sempre esse seu olhar doce de menino que nasceu na aldeia de Ferraria.

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