SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 16:54

VIVA O REI DOM MANUEL I! VIVA TORRES NOVAS!

 

Ao som da música medieval entrei de rompante na praça 5 de Outubro. Instalei-me na Praça dos Mercadores e mergulhei num passado longínquo que me levou ao séc. XVI. As varandas enfeitadas, as barraquinhas da época e os variados trajes emocionaram-me. Fiquei ali todos os dias da Feira a vender peças vindas da natureza e criadas por um amigo artesão.

 

Ao som de trompetas, tambores e bandeiras esvoaçantes, eis que se deu o início da Feira Quinhentista da vila almondina 

           

Subi ao castelo e deslumbrei-me com as aves de rapina expostas; com o teatro de marionetas; com o carrossel de madeira com os seus cavalinhos para as crianças e banquinhos para os adultos. Não resisti e também quis dar uma voltinha; Na gruta do castelo estava instalado o Postigo da Traição, onde bruxas, mendigos, loucos e prostitutas lutavam pela sobrevivência do dia a dia; Passei por este espaço umas quantas vezes (desde já os meus parabéns pelo excelente desempenho dos elementos do Grupo de Teatro da Meia Via).

           

Nas Bodegas os petiscos da época enchiam a barriga de todos. À volta do castelo, encontrei a Mouraria, onde a cultura muçulmana se representava com os seus lenços coloridos o tradicional chá de menta e outras especiarias.

             

Os camelos pachorrentos deitados num deserto inventado eram alvo de paragem obrigatória, tal como os cavalos no campo militar, onde também se podia assistir a batalhas de bravos guerreiros.

           

Com uma vista esmerada demos vivas ao Rei Dom Manuel I que passava na praça com a sua comitiva militar.

           

O baile quinhentista atraiu muita gente e os bailarinos pareciam plumas soltas. Ontem as palavras do Sr. Padre Carlos Ramos ficaram gravadas na minha memória na missa campal. Falou em sermos solidários uns com os outros. Eu senti isso nesta feira. Senti aquele calor humano, a troca de ajudas, os abraços, o carinho entre feirantes.

 

Ontem fechamos a feira com um baile improvisado na nossa engalanada praça ao som dos tocadores de gaita-de-foles e tambores. Foi para mim um momento único de pura magia. Estava cansada, mas não parava de dançar com alguns feirantes.

           

Deixei o recinto da feira de mochila às costas satisfeita. Apanhei o TUT da linha vermelha na Rodoviária (que apesar de não ir cheio, levava sempre alguém e seria bom que também se mantivessem para as festas da cidade) e rumei para casa.

           

Finalmente deixo aqui os meus agradecimentos como torrejana, a quem promoveu este evento. Em conversa com vendedores que vieram de fora, disseram-me que esta feira estava muito bem organizada e que as pessoas de cá são muito acolhedoras. Também vi muitos estrangeiros e isto é uma mais valia que enriquece a mossa cidade e na minha opinião esta iniciativa tem pernas para se realizar todos os anos.

           

Resta-me dizer com o Bobo da Corte: VIVA O REI DOM MANUEL I! VIVA TORRES NOVAS!

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