SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 12:53

Férias com um pouco de cultura

 

Estou aqui debruçada nas teclas do meu computador e a remexer no meu pensamento algo enublado. Ao meu lado, descansam dois folhetos. Um fala de música e outro fala de bonecas. Olho para cada um atentamente e começo a recordar a noite que passei com um deles. Uma noite louca, frenética, elegante, soberba.

                       

Sempre tive uma sede inesgotável pela cultura dos povos, pelos seus trajes, pela sua língua e costumes. Felizmente que a nossa cidade nas festas trouxe o mundo cá. Fiquei deliciada, ao ver os variados espectáculos que pude assistir, porque senti-me em palco também, a cantar com eles, a ser aplaudida. Sou uma sonhadora, serei sempre, mas tenho sonhos que já se realizaram, por isso continuo a sonhar.

 

Na 5ª, um tanto à pressa descobri que era o Festival Internacional de Ranchos Folclóricos em Alcanena. Sete Ranchos portugueses e estrangeiros passaram pelo palco junto à câmara municipal. Iniciou o Rancho do Covão do Coelho que este ano fora o anfitrião e terminou com o Rancho Folclórico do Paraguai. No meio actuaram o Rancho de Santarém com o seu Fandango batido e atrevido entre dois homens. O Rancho de Angra do Heroísmo, República Checa, França, Polónia. Gostei de todos, mas o que me marcou mais foi o do Paraguai. Tinham danças alegres e originais, como uma dançarina que dançou com umas dez garrafas equilibradas na sua cabeça. Impressionante mesmo. Para o ano porque não organizar um Festival Internacional de Ranchos Folclóricos inserido nas festas de Torres Novas?

 

O Rancho do Paraguai marcou-me porque encontrei uma simpática vendedora com recordações, entre as quais, um casal de bonecos típicos que comprei para a minha colecção. Trocamos e-mail, falamos sobre várias coisas e disseram-me a rir que o nosso país os acolheu muito bem. Despedimo-nos com um grande sorriso.

                       

E por falar em bonecas, na 6ª de tarde fui com uma amiga minha e as suas netinhas visitar o Museu da Boneca novamente a Alcanena. Perdi-me num mundo de fantasias e com o riso das crianças acabei por me sentir ainda mais feliz. O Museu tem o seu “hospital” onde a Dona Rosa Vieira faz a restauração das bonecas que precisam de arranjo. Noutra sala, existe um sem número de bonecas de porcelana de todos os feitios e tamanhos, com vários trajes. Em frente tem um espaço infantil, com uma série de bruxinhas penduradas no tecto e que a uma simples salva de palmas, começam a contorcerem-se de risos e olhos brilhantes. Noutra sala estão mais bonecas que ainda estão para serem colocadas no museu. Tive o privilégio de conversar com esta senhora, natural de Vila Moreira e que desde criança começou a descobrir o gosto das colecções de bonecas. Recebeu a sua primeira boneca no Natal de 1963, tinha ela 7 anos e nunca mais parou. Os custos de entrada são em conta. Para nós adultos é um regresso ao passado, até encontrei lá a Miss Piggy. Na troca de dois dedos de conversa, vi que tem vontade de organizar workshop´s em outros lugares. Mas assinou um protocolo com a Câmara de Alcanena e está a depender deles. Não me querendo adiantar em politiquices, apelo apenas ao Sr. Presidente da Câmara de Alcanena, que reconsidere a minha proposta: porque não “libertar” a D. Rosa Vieira para que ela possa fazer esses Workshop´s por exemplo cá em Torres Novas, na Biblioteca ou em outros lugares. Podemos aprender muito com as bonecas, por exemplo levar uma boneca sem roupa e cada pessoa elaborar uma roupa tradicional da terra em que essa actividade decorra. E como não se pode apenas viver do nada, porque não esta senhora ter um pouco de lucro para si? Penso que todos juntos conseguimos e acredito que o Sr. Presidente consegue entender as minhas simples palavras. Sou a favor da cultura, mas também sou a favor que ela se espalhe pelo mundo.

 

De regresso a casa, senti-me bem e resolvi escrever este artigo, porque férias não servem só para estar todo o dia com o corpinho a escaldar ao sol. Para onde quer que vão aproveitem para conhecer as raízes e a cultura desse povo. Não se esqueçam amigos, o sol em excesso faz mal, respeitem as regras e protejam-se. Boas Férias!

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