SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 21:29

Tempos Sombrios

Hoje fogem-me as palavras dos dedos das mãos com o pensamento em todo o lado e em lado nenhum. É domingo de Páscoa com sol e a doce canção do mar embala-me docemente. Acordo. Os meses correm velozes e daqui a pouco vem a Feira Medieval que este ano começa a 29 de maio e termina a 2 de junho. Quiseram aproveitar o feriado municipal a 30 de maio (Quinta-feira da Ascensão) mas “esqueceram-se” que muitos torrejanos trabalham em locais onde não é feriado. Esta data mal escolhida vem coincidir com a semana da Ascensão na vila da Chamusca onde os espetáculos musicais são todos gratuitos. Acredito que as pessoas preferem ver o seu cantor preferido sem pagar ao invés de pagarem para verem sempre o mesmo batuque medieval, que até já enjoa. E por falar em preços as pulseiras aumentam todos os anos e já agora aproveito para perguntar se este ano os reformados por invalidez com o Atestado de Incapacidade Multiusos já têm desconto? Agora prestem atenção se vier alguma excursão de franceses e se quiserem visitar a cidade escusam de ir ao Posto de Turismo porque lá não se safam. Ali só se fala inglês. Passo a explicar honestamente a razão da minha frase. Isto não é ficção e não tem filtros.

Na semana passada fui à gare da rodoviária e uma amiga minha perguntou-me se eu falava francês e se podia ajudar um casal de franceses que queriam visitar a nossa cidade e concelho. Levei-os ao Posto de Turismo e perguntei onde encontrei uma jovem e um senhor. Perguntei se falava francês e respondeu-me que nem por isso. O senhor disse que sim. Pois muito bem. Como a senhora estava ao meu lado, fui buscar um folheto e falei na língua gaulesa. O senhor funcionário de repente levanta os braços e diz: – “pronto, pronto”. Afasta-se e eu continuo a explicar as coisas. O casal foi visitar o Museu Carlos Reis e eu vinha tão indignada que comentei o facto com algumas pessoas. Aconselharam-me a reclamar por escrito. Voltei e pedi o livro de reclamações ao qual me questionaram qual era o motivo. Fiquei irritada pois nunca em parte alguma quando fiz uma reclamação quiseram saber o motivo. Então apareceu outra pessoa que me disse que o francês não era uma língua obrigatória para ser falada num posto de turismo e apenas o inglês é que reinava. Acabei por não fazer a reclamação. Como é que é possível uma pessoa trabalhar num local destes e não saber falar outras línguas a não ser o inglês? Isto é de bradar aos céus. Será que todos tiraram o mesmo curso? O meu francês vem do tempo do ensino secundário e falo também espanhol e italiano e quando vou a outro país tenho o cuidado de aprender algumas palavras. Senhor vereador do Turismo tem de tomar uma atitude radical. Este tipo de situações não pode acontecer novamente. Existe tanta gente bem formada nesta área a precisar duma oportunidade de emprego e aqui no nosso posto de turismo é o que se vê. Tanta gente para quê? Como me disse o senhor Max quando saímos do posto de turismo: “n´est pas normal” (não é normal). Com certeza que não é. E para terminar sei que a quem por direito quando lerem este artigo me vai crucificar. Mas tenham em atenção que após o 25 de Abril há liberdade de expressão e sempre escreverei a verdade custe o que custar. Feliz fim de semana.

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