SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 15:18

Amante de viagens

“– Não vás para a Roménia, disseram-me que é o país dos ciganos”. “– O Rio de Janeiro tem muita violência, não tens medo de ser raptada?”. “– Sozinha em Lisboa? Credo nem pensar. Tanto assaltante, tanto sem-abrigo”. Estas frases foram ditas por pessoas conhecidas quando viajei para estes destinos.

Comecemos pela Roménia que foi a minha última aventura. Visitei um país muito bonito. Cheio de montanhas, desfiladeiros, mosteiros, castelos, lagos, tudo envolvido numa paisagem de cortar a respiração. A Transilvânia Histórica é misteriosa, inspira-me para escrever. Esconde-se uma riqueza cultural que devia ser muito mais protegida. Encontrei um povo mais fechado e ainda muito pouco aberto para receber turistas, no entanto penso que futuramente muita gente lá irá. E sempre há pessoas de etnia cigana? Perguntam vocês. Claro que há. Passei por bairros onde eles viviam mas não me senti insegura. Vi mulheres jovens e idosas trajadas com
vestidos de cores garridas, nas cidades. Vi crianças descalças, sujas a pedirem euros nas ruas, sempre atrás de nós. E também vi as mães sentadas nos jardins à espera da pedincha dos filhos. E isso é que me revoltou. Usam as crianças para o seu próprio benefício. Onde quer que vá olho sempre para o outro lado. O lado que não aparece nos roteiros turísticos e na cidade maravilhosa. Também fui ao encontro dos despejados da sociedade. Vi gente dormindo nas ruas em plena luz do dia, vi crianças a altas horas da noite sentadas à beira da estrada e outras na hora das refeições a baterem nos vidros dos restaurantes a pedirem comida. Isso dói muito. E mesmo que queiramos dar um pouco do que temos, nunca saciaremos a fome de cada um. Mas o Rio de Janeiro foi aquele sonho realizado, com uma viagem ganha num passatempo. Via novelas brasileiras e quando aterrei tive a sensação que já conhecia aquele lugar. Éramos só três pessoas. Nunca os tinha visto, mas organizamo-nos bem e passeamos por todo o lado. Ficamos em Copacabana num hotel com vista para o
mar. Passei por Ipanema a pé e nunca me senti ameaçada. Fui a Angra dos Reis, Búzios, tomei banho na praia Fernando de Noronha em paz. Os cariocas têm o chamado pé no samba e eu também sambei. Subi ao Corcovado, ao Pão de Açúcar e apreciei toda a beleza inesquecível daquela cidade. Amo a capital de Portugal. Lisboa plantada à beira Tejo com seus recantos e vielas nos bairros típicos. Gosto de me perder nos passeios desde a Praça do Comércio até ao Mercado da Ribeira. Esta cidade é um mundo cheio de luz e cor. Em todo o lado há pessoas de diferentes raças, de crenças religiosas variadas, de bandidos, de gente miserável mas o mais importante é sabermos como estar. E não torcer o nariz perante o homem que pede uma moeda de cabelo desgrenhado. Eu sou uma amante de viagens, quer sejam pequenas ou grandes. E até que possa irei sempre por aí, sem medo porque quanto mais mostramos medo e insegurança mais somos alvos fáceis de sermos atacados.

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