SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 07:04

Divina natureza

Mesmo que o sono tenha sido agitado deleitamo-nos ao acordar com um sol de encher o coração. Nasce uma vontade inesperada de ir por aí e percorrer um caminho sem rumo. Simplesmente sentir o cheiro do campo, que nos leva a tempos passados da nossa infância rebelde.

Encontramos um nome duma rua e seguimos a seta. Durante o percurso contemplamos a serra de Aire. Majestosa e poderosa salpicada de pontos brancos, talvez sejam casas. Sob o sol quente de Outono observamos as oliveiras a transbordar de azeitona; velhas casitas de pedra batida, abandonadas. Quem moraria lá? Uma incógnita para a menta trabalhar o imaginário e nascerem histórias de encantar e mal dizer.

Continuamos a subir a ladeira. Cansamo-nos. Paramos, bebemos água. Registamos o momento. Relaxamos perante o coro de pássaros. Procuramos espargos para arranjar com ovos. Torcemos o nariz, pois não apanhamos nem um.

Alguns carros passam e nós pensamos onde irá dar o caminho. Não faz mal, andamos a ver a beleza da natureza que nos abraça cheia de vitalidade. Ao longe avistamos um rebanho de cabras e possivelmente andará com elas um cão protetor. Voltamos em sentido contrário. A descer todos os santos ajudam, lá diz o povo. As horas passam e o sol vai descendo ao seu leito. Está na hora de regressar a casa, mas antes apanha-se uma fruta saborosa. Não foi roubada, apenas dada por aquela senhora simpática. Agradecemos. Um beijo no rosto engelhado e um até amanhã se Deus Quiser.

Chegamos ao lar doce lar, cansadas mas conscientes que valeu a pena ir sem destino. Hoje levei-a comigo, esta companheira que tem dias que me irrita e revolta, mas tem outros que me reconforta e apoia. Diz-me sussurrando que o mundo é belo, a sociedade é que vive em constante mudança e nós temos de enfrentar a tristeza, o desdém, o silêncio com um sorriso nos lábios. Mas nem sempre é fácil.

Agora vamos dormir. Minha doce companhia, minha solidão amiga.

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