SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 08:43

Barracas nazarenas

Em algumas praias do distrito de Leiria quando chega o Verão o areal enche-se de barracas de pano branco. Nesta praia mantém-se a tradição dos tempos passados. Ao passarmos na marginal um corropio de vozes pergunta:- ” Madame quer uma barraca? “. Outras perguntam: ” Querida quer uma barraquinha? “. O povo passa e o pregão continua. Algumas vezes ficamos cansados de tanto ouvir o mesmo pregão. Passamos ali diariamente e por vezes torcemos o olhar perante tanta insistência. Mas se vermos bem é o trabalho destas pessoas, pois o lucro que possam ter é para pagarem aos nadadores salvadores entre outras despesas. O preço do aluguer por dia são 6 euros. Será que é muito caro? Não acho que seja pois uma barraca é sempre uma mais valia. Nas horas de maior calor os vereneantes podem estar protegidos do sol e como sabemos muitas gente continua a ignorar as campanhas da prevenção do cancro da pele; também podemos dormir uma soneca após o almoço; ou então observar o maravilhoso pôr do sol na rocha do Guilhim. As melhores barracas são as que estão viradas para sul pois de tarde são inundadas pelo sol. Alugamos sempre à mesma pessoa. O homem do chapéu á cowboy, o Arlindo, uma simpatia de pessoa, que desinfecta as suas barracas e limpa o chão todos os dias.

Agora falemos dos nossos vizinhos de barraca. Há uns anos alguns trabalhadores da ex- Fábrica da Fiação e Tecidos sem saberem juntaram-se todos na mesma fila de barracas. O meu pai dizia que só faltava o apito às 17h. Recordo-me que nessa altura os homens ao fim da tarde íam todos para a oficina, que era uma tasca típica. As crianças brincavam ao jogo ” na Nazaré ninguém pode andar em pé” e eramos todos felizes.

De há uns anos para cá os vizinhos mudaram de praia, outros faleceram e restam-nos as memórias desses dias quentes.

Nos tempos actuais encontramos vizinhos para todos os gostos e feitios. Uns educados, cumprimentando-nos com um sorriso; outros mal educados e de nariz empinado, que não sabem que o espaço na praia é para ser respeitado. Neste momento tenho umas vizinhas assim: deixam os filhos jogar à bola dentro da barraca, logo incomodam-nos ou pendurarem-se nos paus da minha barraca. Enfim adiante.

Felizmente ainda conseguimos criar laços de amizade durante as férias e por aqui na areia nazarena, encontramos sempre torrejanos.

A água do mar é gelada, mas certo é que esta praia está sempre a abarrotar de gente e de muitos estrangeiros, desde que o Macnamara surfou a onda enorme.

E nós continuaremos a voltar até que possamos, pois a Nazaré há-de ser sempre a praia das nossas vidas; a praia onde se conhece amigos para a vida; a praia dos encontros, dos beijos de amor repentino e muito mais. Basta sentir e amar esta praia das setes saias.

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