SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 15:20

Viver num bairro

Esta semana a SIC mostrou um dos bairros mais problemáticos do Porto, o bairro do Cerco. A reportagem transmitiu a mensagem que nem todos os que ali moram são arruaceiros. Aliás aquela comunidade tem um centro com várias atividades para os mais novos. Desde a música, ginástica, arte plástica, desporto todos andam ocupados construindo um futuro melhor.

Viver num bairro nem sempre é fácil. Todos se conhecem, todos tentam saber a vida de cada um e quando não sabem inventam; Vive-se com mais intensidade a morte dum vizinho; fica-se mais feliz com a chegada de novos inquilinos que trazem filhos pequenos e dizemos que o nosso bairro nunca deixará de ter crianças a brincar na rua como nós em anos passados. Fazia-se diabruras mas havia respeito aos mais velhos. Não provocávamos as pessoas, não desdenhávamos, não respostávamos e até se o fizéssemos tínhamos a humildade de pedir desculpas com arrependimento.

Infelizmente nos dias de hoje tudo mudou para pior aqui no bairro onde vivo desde os 3 anos. Falo na primeira pessoa do que tem acontecido recentemente. Ponderei se deveria expor este assunto ou não. Mas resolvi escrever para que as pessoas tomem consciência da realidade. Talvez isto ajude quem passa por o mesmo e que pelo menos tenham a dignidade de ver que algo terá de ser conversado em casa com os seus filhos. Que fique bem esclarecido que ao escrever este artigo não o faço por vingança ou capricho.

Nestas noites quentes a rapaziada sai à rua e ficam sentados na rotunda que é em frente à minha casa. Riem-se, dizem asneiras, ouvem música. Por volta da meia-noite eu e a minha mãe chamamos-lhe a tenção que tem de falar mais baixo. Entra por um ouvido e sai por outro. O barulho continua. Ontem tinha a janela do quarto aberto e vem um rapazinho espreitar o que eu estava a fazer imitando um pássaro. Como o ignorei não se deu por satisfeito, bateu com força na persiana por duas vezes. Nem privacidade na minha casa tenho.

Em silêncio fui falar com o pai dele. Foram atrás de mim, imitando-me a andar dizendo que eu ia para a ginástica. Enervei-me bastante. Enervou-se a minha mãe que tem 75 anos e já passou pela morte do meu pai, pelo meu cancro e por muito mais. Agora que devia estar em paz. Mas existe esta falta de respeito por parte dos miúdos. Um dia estava tão desnorteada eque chamei estúpido a um deles. Os pais ficaram muito ofendidos com o que eu disse, mas mais ofendidas ficamos nós com este desrespeito. Porque na nossa geração jovem os nossos pais estavam atentos ao que andávamos a fazer na rua e agora não acontece tal coisa.

Caramba se têm calor vão para os vossos quintais. Se querem jogar à bola vão para o pé do depósito ou para o campo que já tem as ervas cortadas.

Sinceramente espero que a situação se resolva, caso contrário terei de alertar as autoridades.

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