SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 07:04

Três mulheres, três pátrias (Parte 2)

A saúde no nosso país nunca esteve a 100% bem como todos sabemos. Ainda hoje há quem não tenha um médico de família; há quem espere de madrugada ou até mesmo durante a noite à porta dum centro de saúde para apanhar um médico de recurso. Felizmente muitos utentes sempre tiveram médico de família e os meus até foram muito bons profissionais. Mas com os anos a passarem esses médicos tiveram de se reformar e nesse caso entrei na lista de espera. Lembro-me que estava de baixa oncológica e por acaso também tive boa assistência, excluindo claro alguns contratempos com um médico que estava nessa altura nas urgências do hospital. Já passou.

Um dia ligaram-me a informar-me que já tinha médico de família. Era uma médica e vinha de Porto Rico. Pensei para os meus botões como seria a senhora: seria simpática, profissional, mal-encarada, rude e um sem número de adjetivos que bailava no meu pensamento. Fiquei na expectativa e andava ansiosa para a conhecer.

Entretanto chegou o dia da consulta e ao entrar vi uma pessoa baixinha, com uma bata com macaquinhos e com um sorriso enorme. Naquele instante agradeci aos deuses por me terem atribuído aquela doutora. Após uma conversa sobre as minhas mazelas perguntei-lhe porque usava aquela bata tão engraçada. Respondeu-me com os olhos brilhantes que em Porto Rico os médicos trajavam assim. Quanta simplicidade meu Deus, que vi naquela senhora. Saí de lá muito satisfeita.

Com a continuação contou-me que adora Portugal, a nossa comida e as pessoas. Fico feliz por isso e ainda mais feliz e descansada pelo seu grande profissionalismo, pois não me receita qualquer medicamento sem antes me mandar fazer um exame. E tenho de aqui escrever que isto é de louvar, pois muitos médicos nos serviços públicos carregam-nos com medicamentos sem no entanto saberem o que temos. É como se fossemos as cobaias para ver se o remédio ajuda ou não. E os doentes ficam com a carteira mais vazia e com maus resultados.

Espero sinceramente que esta doutora fique por cá muito tempo e agradeço-lhe aqui publicamente o seu empenho, a sua amabilidade e o seu conhecimento que transmite para os seus doentes. Ainda bem que escolheu o nosso país e a nossa terra para continuar a sua obra médica.

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