SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 8 Agosto 2020, 01:33

Cruel realidade

Não consigo deixar de pensar na imagem da criança morta numa praia da Turquia. É um foco que permanecera comigo. Dói-me o corpo e a alma de ver e ouvir estas notícias dos povos migrantes. Revolta-me os países de origem que apenas querem viver em guerra. Não são capazes de enfrentar as dificuldades sem que o sangue seja derramado. Se não fossem os carregamentos de arsenal bélico seriam uns fracos. São um monte de cobardes que espalham o terror em todos os lados. E o povo tenta fugir. Paga uma enorme quantia e paga com a sua vida na maioria dos casos para sair do meio da porcaria desumana. São colocados em barcos e andam por o Mediterrâneo atolados de medo, fome, frio e doenças. Tentam chegar à Terra Prometida, à Europa que está carregada de crises políticas, que está minada de mafiosos, mas que mesmo assim eles sonham com uma vida em paz. E Portugal também vai acolher migrantes. Acho bem, mas atenção há que ver muito bem quem é que se coloca cá. Pois quem sabe, se entre estas pessoas não haverão terroristas? Quem sabe se não os enviam misturados com inocentes para despoletarem ataques bombistas e desenvolverem células adormecidas? Somos um país pequeno mas há que saber escolher e ver com olhos de ver quem são os bons e saber separar o que vem com ideias maliciosas.

Acredito que as nossas forças de segurança saberão como agir.

Há outra coisa que me choca quando comparam o desespero daquela gente com os pobres, os sem-abrigo de cá. Estes ainda podem contar com o apoio das instituições, de voluntários que percorrem diariamente e durante a noite as ruas das capitais de distrito e não só. Podem não comer bem todos os dias, mas há sempre alguém que cuida deles. Contudo não digo que não há gente a passar mal em Portugal. Claro que há muita miséria dura, miséria encoberta, tal como há miséria de fachada. No entanto não consigo entender como ser humano que sou a comparação que fazem do retrato português com o retrato dos migrantes.

Aqueles povos não têm nada. Os seus países de origem negam-lhe os direitos de sobrevivência, de terem uma vida digna. Lá morre-se a qualquer momento em massa. Crianças, mães, pais, avós e toda a família. Quem me dera ter saúde suficiente para ir ajudar esse povo como fizeram alguns portugueses no Nepal.

Resta-me rezar por eles; resta-me enviar alimentos e roupas; resta-me ter esperança e resguardar-me no silêncio deste fim de tarde de início da semana.

Madalena Monge

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