SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 15:15

Ser ou não ser?

Há uns anos um padre perguntou-me: “-Madalena, porque nunca se casou?”. Eu respondi com outra pergunta: “ – Porque foi para padre? “. Ele respondeu-me: “- Por vocação.”. Eu disse-lhe: “ – pois, eu não me casei porque nunca senti vocação para dar esse passo. Sempre senti mais vocação para ajudar e amar quem precisasse “.

Ajudar faz parte de mim, tal como lutar contra as injustiças quer em termos gerais, quer pessoais. Sou uma pessoa com uma personalidade forte e vincada. Nasci com alma livre e tenho opinião própria. Quando posso contribuir em prol de algo, fico feliz. Crianças e idosos são os seres humanos que mais gosto de comunicar e ajudar.

Por tal em 2007 devido a doença oncológica a junta médica reformou-me. E agora o que vou fazer?

Inscrevi-me como voluntária através da Câmara municipal de Torres Novas. Perguntaram-me se gostaria de ajudar nos tempos livres do ROSTO. Claro que sim. Adoro crianças. Era Verão e ia ajudar na festa. Esperei que me contassem de novo. Mas nunca o fizeram.

Um dia li neste jornal que um grupo de pessoas se unira para criarem uma “Ponte de Afetos”. O projeto era para ajudar os idosos a combater o isolamento em que vivam. Fui à reunião convicta que agora é que era. Fiquei num grupo muito simpático e disseram-me que me iam contactar. Mais espera. Perguntei a uma pessoa do grupo porque demoravam tanto tempo a chamar-me. Disse-me que ainda estavam a fazer um levantamento dos idosos que viviam sozinhos. Aqui apanhei logo uma mentira, pois a PSP já tinha enviado uma lista de quem vivia só. Com tanta espera um ano passou, ou até mesmo dois e nada.

Um dia destes encontrei uma senhora desse mesmo grupo e perguntei-lhe como ia o grupo da “Ponte de Afetos”. A senhora respondeu-me que muito bem. Contei-lhe a minha história e ela disse que isso não se fazia. Pois não, é uma vergonha rejeitar as pessoas que querem ajudar. E porquê’ porque eu não vou á missa aos domingos? Porque não tenho um padrinho conhecido? Porque sou frontal e sei que as verdades custam ler?

Então serei voluntária cá na nossa cidade? Sou à minha maneira e não andando a mendigar que me aceitem num sítio certo para depois me espezinharem. Não sou lixo para ser exposto e depois varrido para o esgoto. Continuo a fazer os peditórios nacionais contra o cancro e do Banco Alimentar e mais que venham, mas nunca inseridos num grupinho fechado, que só entra quem tiver linhagem.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados