SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 15:46

Como nos velhos tempos

O sábado passado nasceu luminoso demais para passar o dia em casa. Fui ao futebol. O caminho faz-se em meia hora e andar a pé faz bem à saúde.

Fui assistir ao jogo de futebol entre os juniores do Clube Desportivo de Torres Novas e o Clube Atlético de Alcanena. Fiquei nas cadeiras. Com as equipas em campo fui olhando em redor o que se passava. No chamado peão ao sol, poucos se viam ali sentados. Do lado da sombra não enchiam as bancadas. Muitos lugares vazios. Alguns amigos, família e outros tantos gritavam por cada jogador da sua equipa preferida. Foi um jogo renhido, ninguém queria perder, mas também queriam marcar golos. O treinador do Alcanena não parava um segundo. Gesticulava, gritava para com os seus pupilos: “- Tu, vira o jogo fo…”. O árbitro continuava na azáfama de controlar o jogo, que por vezes não era muito correto. Atrás de mim estava um grupo de brasileiros que estavam a apoiar um jogador do Alcanena. Muito animados dizia um: “- Seu juiz (árbitro) o senhor tá vendo mal, que é isso?”. Os outros riam e eu ri também. O futebol é mesmo assim. Os nervos fazem subir a adrenalina e entramos todos no ciclo de barafustar, de chamar coisas “lindas” aos árbitros e aos fiscais de linha.

Recordo-me dos meus tempos de sócia do Clube Desportivo de Torres Novas em que gritava desalmadamente pelos amarelos. Recordo-me de um dia irmos ao velhinho campo de futebol da Nazaré e levarmos uma bandeira enorme verde e amarela. Tínhamos claque com a São Refinfa sempre afinada. Recordo-me com saudade dos jogos nacionais e internacionais que por cá passaram. Sinto saudades de ver o estádio cheio de calor humano.

No entanto com mais ou menos possibilidades monetárias o Clube Desportivo de Torres Novas continua com o seu desporto. Há pessoas que se dedicam a ele de corpo e alma, como o Varela por exemplo. Sempre ao lado do clube, ao lado dos miúdos e graúdos que fazem parte desta família futebolística. É de louvar o empenho que este homem dedica ao seu clube da terra. E muitos outros continuam a lutar para que o desporto torrejano não desapareça.

O jogo terminou com um empate. O sol escondeu-se e mergulhei num lanche saboroso na pastelaria da Maria.

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