SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 03:54

Ensaio para uma dor menor

Este mês o tempo deu uma reviravolta enorme. Os graus subiram ao 37º quiçá muito mais aqui para as bandas da nossa cidade de Gil Pais.

Para mim este sol abanou-me o sistema imunitário. Com defesas de passarinho acabado de nascer eis que começo a sufocar, a perder a força das minhas vias respiratórias. A goela turvou e a voz embargou. Como o nosso hospital ainda tem as urgências a funcionar (que bom) fui lá. Atendimento muito simpático, medicamentos pouco eficazes. Os efeitos secundários deram-me tonturas, ansiedade e isso era tudo o que menos precisava. Antes do fim de semana recorri a um otorrino particular. Nova investigação à minha boca agora mais seca e mais infestada. Ouvidos não foram vistos, porque se calhar não estavam incluídos no preço. Sessenta euros pois então, queres particulares pagas. E cá para mim pensei: “- agora é que vai ser, vou melhorar!” Mais um lote de medicamentos: uma injeção de cortisona que segundo me informou o doutor, era para atenuar as dores da garganta. Depois uma caixa de antibióticos caso a dor não cessasse passado quatro dias; Levei a dita injeção que só me trouxe alívio naquele dia. Quatro dias após iniciei o antibiótico do tamanho duma feijoca. Pelo meio veio a sinusite no seu melhor desaforo, deixando-me os ouvidos em sinal de zumbido constante. Tudo me corria tão bem que no sábado voltei de novo às urgências. Sentada frente a uma doutora indecisiva no que me havia de receitar. Depois de me observar fez-se luz na sua mente e disse-me que eu estava com uma infeção fúngica, que trocado por miúdos é a doença dos sapinhos. Olha só me faltava agora ter sapos na minha boca. Acontece isto ás crianças, mas devido aos tratamentos oncológicos que fiz há 9 anos, as defesas baixaram. Na receita veio umas cápsulas exatamente para tratar do problema, um gel para a boca, água do mar esterilizada e um frasco com um liquido com sabor a amêndoa amarga para bochechar que eu reconheci do meu passado oncológico quando o meu estômago rejeitava, mas que agora aceita.

Ainda com poucos dias de tratamentos, parece que os sapos lentamente vão ter com as rãs e eu posso respirar de alívio. Deixo aqui um recado que quando não se sabe o que o doente tem pode-se e deve-se mandar fazer análises ao sangue nas urgências, ou no caso de cá, temos de ir para Abrantes ou Tomar? Assim poupava-se o dinheiro dos medicamentos e demais iguarias em que alguns nem são comparticipados.

Com tanto ensaio e eu servindo de cobaia, vou ter esperança para continuar a dizer: que à terceira é de vez, boa ou menos boa (risos).

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