SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 20:13

Publicidade pelas costuras

Com o Natal à porta sentimos um frenesim danado em todos os centros comerciais, nas ruas e nas lojas. Os meios de comunicação (rádio e televisão) completam o panorama.

Um dia destes fui pesquisar preços de brinquedos a um hipermercado e fiquei arrepiada quando vi os preços dependendo de cada marca. Para as meninas encontrei bonecas que cantam, choram, dão beijinhos entre 4,99€ a 52,99€. Continuam a fabricar material de cozinha, limpeza de casa como se as meninas têm de ser todas boas donas de casa.

Para os meninos encontrei carros e carrinhos, monstros e monstrinhos entre 4,99€ e 39.99€. Mas o boneco mais caro que encontrei foi um robot revestido de peluche com olhos arregalados que custa a módica quantia de 64,99€. O bichinho fala, tem sensores na barriga e na cabeça. Segundo o especialista brasileiro o bichinho pode ajudar as crianças a serem mais responsáveis, no entanto o preço é de 400 reais no Brasil, quase o preço duma bicicleta. E aqui em Portugal? Vamos ver. Vejam só uma bicicleta para menino custa também 64,99€.

No meu entender de cidadã atenta, penso que deviam optar pela compra da bicicleta, pois a criança pode sair de casa, conhecer o que a rodeia e prestar atenção às regras de segurança.

Existem também presentes muito mais em conta e educativos para oferecerem como por exemplo: um peixinho vermelho, que os petizes associam ao Nemo; um livro de aventuras; um conjunto de peças para construir bonecos de trapos, bijuteria; puzzles; um passeio a um parque temático; uma ida ao jardim zoológico. Estes preços variam, mas também podem ter um papel mais educativo e criativo na formação da criança. Porque quanto mais quantidade se dá, menos interesse há. A criança acha o máximo na noite de Natal, mas depois escolhe só um ou dois brinquedos para a acompanhar no seu dia-a-dia.

Nos meus tempos infantis, tinha também bonecos e bonecas bonitos, mas dava mais atenção aos mais pobres. Tinha um boneco sem um olho; outro sem um braço. Fazia sopas com erva e enfiava-lhes goela abaixo. Tinha amor por esses coitadinhos. Talvez seja por isso que hoje me preocupo com as causas sociais.

Na hora de comprar pense no que os seus filhos gostam de fazer e não apenas no que está na moda.

Feliz Natal para si caro leitor onde quer que esteja.

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