SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 06:58

O lado solidário

A vida traz-nos dissabores, outras vezes alegrias. São momentos que agarramos com firmeza, outros, com nostalgia. E quando temos tempo porque fomos reformados mais cedo por motivos de falta de saúde, ficamos com o nosso pensamento livre de pensar em estratégias que nos orientem de forma positiva na atual realidade. E todas aquelas coisas que sempre desejamos fazer e que anteriormente devido ao frenesim diário, agora começam a criar raízes. Agora olhamos com mais atenção às plantas que crescem nos nossos quintais; ao pôr-do-sol à beira mar; ao homem que estende o seu braço mendigando numa casa sem teto. Queremos muito ajudar.

Então nada melhor que recorrer a uma instituição, oferecer-se para voluntário e ajudar quem precisa. Dar o seu amor a quem o perdeu; dar um abraço a quem anda revoltado; dar uma palavra e um sorriso a quem anda perdido.

Espera-se que a resposta à oferta seja rápida, pois ouve-se dizer que há falta de voluntários aqui e ali. Espera-se, espera-se. Passa-se o verão e entra-se no outono e tudo igual. Afinal o que se passa realmente? Para quê tanto alarido, para dizerem “- Voluntários? Não precisamos de voluntários”. Em que ficamos?

Este caso é pura verdade. Aconteceu-me. Inscrevi-me como voluntária na câmara para ir apoiar crianças nos tempos livres numa instituição de cariz social em meados de junho. Até hoje nem uma resposta.

Na semana passada fiz o mesmo mas noutra instituição e a resposta foi negativa. Será que estas coisas acontecem noutras terras? Ou será só nesta, que para se ser voluntário temos de ter berço, ou andar de braço dado com os bons costumes?

Falo na primeira pessoa, mas se calhar outras pessoas já se queixaram do mesmo. Por isso o meu lado solidário continua cá bem firme. Ajudo como ajudei no peditório da Liga Nacional Contra o Cancro este fim de semana. Andei de rua em rua, entrei em lojas, tabernas, cafés, restaurantes e bares. Encontrei sorrisos, desdém, hostilidade e bondade também. Para o fim do mês vem o peditório do Banco Alimentar, lá estarei.

Vou continuar a ajudar, mas sozinha. Prefiro assim, visitar os idosos nos lares ou em suas casas. E ainda não perdi a esperança de um dia ir ajudar os sem-abrigo em Lisboa. Porque aqui, santos da casa não fazem milagres.

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