SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 08:42

A família de Joaquim da Silva Patrício

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Joaquim da Silva Patrício foi por volta da década de 20 do século passado um comerciante retalhista explorando uma mercearia com venda de solas, cabedais e artigos para sapataria, tendo também fabrico próprio de sapatos, botins e botas altas, no Largo da Rua Nova, local onde explorava também a Sapataria Popular. Tinha ainda outra pequena sapataria na Rua Alexandre Herculano, a Sapataria “A Persistente”, situada na esquina do atual estabelecimento Top Jovem.

Foi um comerciante de certo vulto que durante largos anos se distinguiu nessa tarefa. Tinha como irmãos os senhores Joaquim da Silva Patrício, João Patrício, José da Silva Patrício e Manuel Patrício, que me lembre pessoas também muito conhecidas na então vila de Torres Novas, todos eles ligados ao negócio de artigos para sapataria.

Era casado com D. Emília Patrício, oriunda de Vila Moreira e irmã de minha avó Lucinda que ali residia e que infelizmente faleceu muito nova precisamente em Vila Moreira.

Num gesto de apoio à família, os tios Joaquim Patrício e Emília resolveram trazer três dos filhos da minha falecida avó para sua casa em Torres Novas, ali na Rua de Valverde, nomeadamente meu pai José Pinheiro, na altura com sete anos de idade, meu tio Manuel Joaquim Pinheiro com alguns anos a mais e minha tia Maria do Rosário salvo erro a mais velha.

Deram-lhes emprego nas lojas que tinham e cama, mesa e roupa lavada em sua casa. Minha mãe Carminda também ali se empregou, como ajuntadeira de calçado e foi ali que, muito amiga da Maria do Rosário, começou a namorar o meu pai até ao casamento.

Curiosamente, meus pais vieram a morar na antiga casa onde viviam os Patrícios, no número seis da Rua de Valverde, pois estes mandaram construir a sua casa, mesmo defronte, para onde se mudaram.

Esta casa, depois da morte dos Patrícios e da saída dos seus filhos para outras paragens, teve diversas utilizações, com os Móveis Carrilho após o fecho da Sapataria Popular no rés-do-chão, depois disso a Padaria Rosa e a Pastelaria que ainda ali hoje opera.

No primeiro andar, esteve ali a viver a família de Vasco Fagulha e após a sua saída ali esteve o Centro de Línguas ainda alguns anos.

Os senhores Joaquim da Silva Patrício e Emília Patrício tiveram que me recorde quatro filhos, Maria Emília, Joaquim, Otília e Victor.

A primeira, farmacêutica, casou ainda nova com João Rodrigues Ceboleiro, natural de Ribeira Branca- Torres Novas e foi viver para Vila de João Belo (Xai-Xai) – Moçambique, onde explorava a Farmácia local e por lá viveram muitos anos. Este casal teve quatro filhos, Maria João Ceboleiro, professora do Instituto Superior Técnico e já falecida, Maria Celeste Patrício Ceboleiro, médica do Hospital de Portalegre, Adelaide Ceboleiro (Lai-Lai) e João Ceboleiro, meu colega de segunda e terceira classe na escola primária com o professor Domingos de Oliveira. Salvo esporádicos contactos com a Maria Celeste perdi as ligações com estes terceiros primos. A Dra. Maria Emília faleceu há alguns anos em Portalegre.

A segunda filha do casal, minha madrinha de batismo, Otília Patrício, também formada em farmácia, casou com o engenheiro Martins e foi residir para S. João da Madeira. Este casal teve cinco filhos, o António, que penso ser médico no Porto, o José que é arquiteto salvo erro na Câmara Municipal do Porto, o Jorge (Joca) arquiteto, a Teresa que trabalhava na Soares da Costa no Porto e o João. Desta rapaziada que brincava no período de férias comigo e com alguns jovens dos Bairros de Valverde e de Santiago, quando vinham passar ferias a Torres Novas para casa dos avós, ali na Calçada António Nunes, nunca mais soube rigorosamente nada a não ser a morte da minha madrinha Otília.

Depois temos o filho Joaquim Patrício, que não se formou e que ajudava o pai nos estabelecimentos referidos. Era casado com Maria Luísa, uma senhora muito bonita, natural do Porto e aqui viveram até à sua saída para essa cidade, por encerramento da atividade em seu nome na nossa vila. Este casal deu três netos ao senhor Joaquim da Silva Patrício e a D. Emília, a mais velha a Milita, que frequentou o Colégio de Santa Maria e é porventura dos netos o que é ainda hoje relembrada em Torres Novas por antigas colegas e amigas. Depois havia o Joaquim Alberto e o José Manuel o mais novo.

Depois de terem partido para o Porto nunca mais os vi, tendo no entanto sabido que a Milita estaria num banco em Lisboa e que o Joaquim Alberto tinha ido para o Canadá, fazer a sua vida. Mais tarde vim a saber que o Joaquim Patrício (o menino Joaquim) tinha falecido no Canadá durante umas férias que ali passava.

Por fim havia o Victor, engenheiro, que esteve muitos anos em Moçambique, na Matola, ligado aos combustíveis. Era casado com uma senhora também muito elegante, de nome Aurélia e ao que me consta tinha um filho adotado.

Sem rebuscar qualquer informação escrita e fiando-me apenas na minha já não muito fresca memória, penso não ter esquecido ninguém da família de Joaquim da Silva Patrício.

E este artigo tem uma razão de ser. É que, precisamente em finais de Outubro, meu filho mais velho esteve em Toronto (Canadá) em serviço e por casualidade ou por outra força estranha que os laços familiares proporcionam, quando falava com um amigo à porta de um hotel, em português, uma moça, sensivelmente da sua idade notou a linguagem usada e meteu-se na conversa. Que tinha prazer em ouvir falar a língua portuguesa tão longe de Portugal e de onde são, de Torres Novas, olhem o meu bisavô era de lá, tal como o meu avô e meu pai, era Joaquim da Silva Patrício. Eu sou neta do seu filho Joaquim, e filha do Joaquim Alberto.

Como o mundo é pequeno mas tão curioso e belo. Como se descobre uma quarta prima, por mero acaso, no Canadá.

Marcaram encontro para saberem mais um do outro e veio à baila a saudade de uma senhora chamada Carminda, a minha querida mãe, muito lembrada por ter ajudado no parto do pai da referida moça e dos seus irmãos. Na realidade a minha mãe deu tudo àquela família mas é muito belo, passados mais de vinte anos da sua partida, ser desta forma homenageada.

Afinal este ramo da família está toda no Canadá e as novas tecnologias da informação certamente irão unir-nos mais, para ajudar a matar as saudades de ambos os lados.

Que os primos do Porto e os moçambicanos se entrelacem e consigam juntar a família aqui em Torres Novas numa grande festa de recordação da família Patrício.

Quem sabe?

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