SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 01:34

Aos doze anos, com doze pombos-correios

Foi com apenas doze anos que me inscrevi como sócio da Sociedade Columbófila Torrejana, era ainda Presidente da Direção o senhor José Alves Pereira e o “bichinho” foi apanhado por ver de minha casa em Valverde os treinos e a chegada dos pombos da sociedade “Carlos Domingos/José Torres” num pombal de varanda, muito pequenino, mas que servia à maravilha para aqueles dois amigos se entreterem no desporto dos pombos –correios e para me deliciar a observá-los.

Ainda me lembro de que o meu pai me fez um pequeno pombal, pouco maior que 1 metro quadrado, fez um buraco na parede que dava para a rua e ali colocou uma pequena prancha que não dava para mais que um pombo entrar. Cimentou o chão com a ajuda de uma rede e com uns pequenos caixotes de madeira do sabão azul da altura fez alguns ninhos para os poucos pombos que eu conseguisse arranjar.

Também ainda me lembro dos primeiros pombos que me deram. O Marto, deu-me um pombo azul velho, aleijado numa pata e com bico curto, que já vinha batizado por Burgos e já tinha sido do Sousa.

Também me deu um borracho fêmea azul-escuro, que por seu muito pequenina apelidei de “caga-no-ninho”.

Este foi o casal base, do qual tirei um macho, de bico curto como o pai e de um lindo azul-claro. O Manuel Campos (Pedral) deu-me um lilás, que eu desconfiava ser filho de um casal mariola, mas que veio a revelar-se mais tarde, nas mãos de Faustino Bretes um razoável fundista. O senhor Orlando Minhalma (dentista), campeão dessa altura, deu-me dois borrachos, um macho pedrado e uma fêmea vermelha. O amigo António Maria Vassalo deu-me também um borracho muito lindo, meio pigarço cheio de cores que brilhavam quando o sol lhe batia. O meu vizinho Carlos Domingos também me deu dois borrachos vermelhos e o Armando Ramos Deus ofereceu-me um borracho azul e um pombo já com dois anos, também azul.

Comecei a concorrer em 1959 com apenas doze pombos, os que atrás referi e um outro de que não reza a história.

Mandei-os a alguns treinos aqui perto e tive a sorte de não perder nenhum. Até que chegou o primeiro concurso a sério, que me recordo ter sido Vila Nova da Gaia, prova de velocidade.

Cheio de ilusões e “ceguinho” na matéria, lá me atrevi a enviar a concurso 6 pombos. Acontece que o Domingo chegou, quase toda a noite não dormi só a sonhar com a prova, mas ao acordar chovia a bom chover, o tempo não estava nada favorável para os pombos.

O meu vizinho da frente o Carlos Domingos só teve um por volta do meio dia e os outros foram chegando pela tarde fora. Cá o Jorge esperou, esperou, mas só vieram dois dos seis , e só vieram no dia seguinte. Belo serviço e bela estreia.

Aconteceu que passados quinze dias recebi um postal da Federação, a informar-me que um pombo meu tinha ido parar a um pátio de um senhor de Alcácer do Sal. Passou por aqui perto mas seguiu viajem.

Fiquei imensamente contente na esperança de voltar a ter o pombo. Ainda recordo que o senhor que comunicou o achado , que era o tal pigarço do Vassalo, era proprietário da Foto Alcacerense. Escrevi-lhe a agradecer-lhe e a pedir que o soltasse e até hoje o pombo não regressou e já lá vão muitos anos.

Ou não teve cabeça para voltar ou alguém o comeu e dessa forma também perdeu a cabeça. Mas não se perdeu grande coisa. Lá curti a mágoa, sei que nos primeiros anos perdi muitos pombos e

valha a verdade, nunca tive grande jeito para aquilo.

Mas valeu a pena ser columbófilo para conviver com tanta gente boa, de diferentes credos e classes sociais e para trabalhar em diferentes direções de que fiz parte

Valeu a pena porque se fazem muitos amigos e as alegrias que se vivem quando conseguimos ganhar uma prova é impagável, não havendo palavras para a descrever.

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