SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 19:46

A Rua do Nogueiral

Tenho saudades da antiga Rua do Nogueiral, que ligou durante muitos anos a zona do Lamego até à Central Eléctrica, com um desvio para as Casas Altas.

Já hoje tenho alguma dificuldade em lembrar essa zona de antigamente, pois da minha Rua de Valverde para ir até ao campo de futebol conhecido pelo Quintal do Zé Maria eu tinha que seguir pela Travessa da Regueira de Água, entrar no Largo do Lamego, atravessar a ponte em madeira com o mesmo nome, passar a Metalúrgica do Vieira e a Carpintaria do Félix Carreira e seguir depois por uma rua em terra, cheia de pó no Verão e cheia de lama no Inverno. Era esta a Rua do Nogueiral, ladeada por fazendas e um muro alto do lado direito de quem ia a caminho do campo de futebol e do lado esquerdo pelo muro do próprio campo de futebol por detrás das bancadas, recordando ainda a casa do senhor Fragata, o portão que dava para os balneários e o portão de entrada directa para as bancadas bem como as guaritas das bilheteiras

Era assim que se chegava à Central Eléctrica nessa zona, não sem que antes houvesse uma ramificação ainda em terra batida para a zona das casas Altas.

Não haviam, portanto, os inúmeros edifícios que hoje configuram essa zona da cidade, desde o Lamego, passando pela rotunda dos Heróis de Diu, pelo mercado municipal,  pelo edifício Galinha, com os seus Bancos e estabelecimentos modernos. Ainda não havia a ponte a ligar o Largo General D.Diogo Fernandes de Almeida à margem esquerda do rio Almonda.

O local onde estão hoje as Avenidas 8 de Junho e dos Bombeiros Voluntários era ainda uma ideia nessa altura e tudo se foi transformando e modernizando, de tal forma que o Nogueiral de outrora é hoje uma ténue recordação para aqueles que tantas vezes ali passaram.

Ainda me lembro de se iniciarem as construções do Teatro Virgínia e

da Casa de Saúde Santa Isabel e mais tarde a construção do quartel dos Bombeiros Voluntários Torrejanos.

O terminal rodoviário constituiu durante largos anos um problema que desfeiava toda aquela zona, porque levou imensos anos a ser concluído constituindo um dos mamarrachos arquitectónicos que mais dava nas vistas pela negativa.

Concluindo, os homens foram envelhecendo, os anos foram passando e a vila foi-se transformando na cidade que é hoje, de tal forma que penso ser útil o reviver desta memória sobre a antiga Rua do Nogueiral em sinal de respeito pela função humilde que sempre desempenhou na ligação entre bairros da nossa terra.

Era por ela que a rapaziada ia jogar futebol no Quintal do Zé Maria e era por ela que regressava a casa cheia de pó ou de lama conforme as estações do ano. Dos sapatos, para quem os tinha, nem é bom falar.

E era também pelo Nogueiral que se tinha acesso às bancadas para o campo de futebol onde quinzenalmente jogavam os amarelos e onde tantas tardes de glória aconteceram para as cores do Desportivo.

A antiga Rua do Nogueiral onde hoje temos a EDP, alguns bancos, o edifício Galinha e o novo parque de estacionamento inaugurado há pouco,

é hoje uma rua moderna e bem delineada, nada fazendo lembrar aquilo que era há cinquenta anos.

E se me permitem quero dedicar este modesto artigo a uma pessoa que ali se radicou pessoal e profissionalmente durante quase toda a sua vida e que a Torres Novas, à Rádio Local e ao seu querido Desportivo em especial, tanto deu sem nada receber em troca a não ser a alegria que sentia em ver os amarelos sempre na mó de cima em termos desportivos e Torres Novas ser uma terra elogiada por quem aqui viesse.

Refiro-me ao meu amigo Joaquim Pedro, cidadão torrejano a quem tiro respeitosamente o meu chapéu em jeito de homenagem mais que merecida.

Para ele, a Rua do Nogueiral e toda aquela zona incluindo o parque desportivo fizeram sempre parte da sua vida e penso que ficará feliz por

ver recordada a sua juventude e a realidade de há umas boas dezenas de anos.

Não se vive de saudade, mas não faz mal nenhum recordar a realidade de antigamente, altura em que nós éramos mais jovens e sonhadores e compará-la com a realidade de hoje, bastante melhor e bastante diferente.

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