SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 21:35

Peregrinação a Fátima em 1964 Sporting conquista a Taça das Taças na Europa

Até parece um milagre que Nossa Senhora de Fátima me concedeu. Não é que na primeira ida a pé a Fátima a 12 de Maio de 1964, o meu Sporting Clube de Portugal, em 13 de Maio, empatou por 3-3 com o MTK da Hungria, no jogo da final da Taça das Taças adiando a resolução para dois dias depois, em que o Sporting ganhou mesmo a Taça?

Para lá fui com um numeroso grupo, pela manhã, direitos ao Pedrógão, Alqueidão, subimos a serra e fomos sair na subida para o Bairro. Lá em cima metemos novamente por um atalho que nos conduziu a Fátima, e daí até à Cova da Iria foi um salto.

Ali chegados tratámos de procurar local para pernoita, montámos a tenda ao lado da Basílica colocámos as mantas e os farnéis e ali ficámos debaixo de uma azinheira. Íamos fardados à Mocidade Portuguesa, bivaque, camisa verde escura, calção beije e o cinto com S, que sempre foi interpretado como cada um muito bem quis.

A multidão era como hoje, imensa, se bem que os transportes eram menos acessíveis e não haviam as estradas de acesso que hoje existem e que facilitam as deslocações.

Como éramos jovens e generosos, auxiliámos alguns peregrinos mais necessitados nas instalações do Santuário e como paga tivemos um lanche melhorado que aconchegou os interiores e nos ajudou a combater o frio intenso durante toda a noite.

Assistimos à procissão das velas à noite e no dia seguinte, após a procissão do adeus, também nós dissemos adeus à maioria da companhia da ida, e marchámos em passo acelerado, rumo a Torres Novas, porque, às 18 horas, dava, na televisão a preto e branco, o jogo da final da Taça das Taças directamente de Bruxelas, entre o M.T.K. da Hungria e o meu Sporting.

Lembro-me que éramos quatro ou cinco, mas a partir do Pafarrão só ficámos dois isolados na frente, eu e o amigo Vítor Pereira da Rosa, que nem sei se gosta de futebol.

O que sei é que acelerámos imenso, e às tantas fiquei isolado em segundo lugar, porque o Vítor Rosa, de pernas mais altas, andava que se fartava e lá se adiantou de tal forma que nunca mais o apanhei.

Mas cheguei a Torres Novas a tempo e horas e com os pés doridos e muito cansado, lá fui ver o jogo a casa do tio do meu pai, Joaquim da Silva Patrício, na sua casa na Calçada António Nunes, num televisor a preto e branco, marca Grundig, um luxo para a época.

E o jogo decorreu equilibrado e o resultado final foi um empate a três golos, o que motivou a marcação de um jogo de desempate, dois dias após, ou seja em 15 de Maio. Este novo jogo já o vi com alguns amigos, salvo erro no Café Central ali no Largo da Botica.

Este segundo jogo foi sensaborão, as equipas temiam-se mutuamente e nada de grandes emoções nem de oportunidades de golo. Lá para o final do jogo, aconteceu um canto contra o M.T.K.

O João Morais foi marcá-lo. E de tal forma o fez que a bola entrou directamente na baliza húngara. Tinha sido Golo. Golo do Sporting. E ganhámos a Taça das Taças da Europa, prémio menor que as Taças dos Campeões Europeus que o Benfica já tinha ganho pelo menos por duas vezes.

Mas o povo também saiu em festa para as ruas de todo o país e a alegria foi enorme. Só me restou o regozijo e o agradecimento sincero a Nossa Senhora de Fátima que ouviu as minhas preces.

E termino com outro obrigado, desta vez ao colega e amigo Vítor Rosa, pois se não fosse ele nessa tarde a acelerar o passo, em não tinha chegado a tempo de ver o primeiro jogo.

Ah rapaz tramado para andar depressa.

Viva o Sporting !

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