SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 04:28

Choral Phydellius na Bélgica – O mais difícil foi chegarmos ao Aeroporto da Portela

Quero recordar aqui uma viagem do Choral Phydellius à Bélgica, era então Presidente da Direcção o malogrado Pedro Crespo. A digressão do coral decorreu pelo melhor, com actuações de bom nível e com intercâmbio com o Côro de Mons, já nosso conhecido, que nos acolheu.

Concertos, visitas a algumas cidades de interesse turístico e alguns momentos de são convívio tudo decorreu bastante bem, incluindo-se as viagens de avião entre Lisboa e Luxemburgo e volta.

O mais difícil da viagem foi o percurso entre Torres Novas e o aeroporto de Lisboa.

Talvez devido ao bom relacionamento com a Liga dos Bombeiros Portugueses, pois o Phydellius tinha gravado há pouco tempo o Hino dos Bombeiros e porque já nessa altura havia necessidade de reduzir os custos, foi um autocarro dos Bombeiros Voluntários salvo erro de Alenquer que veio a Torres Novas para nos levar ao aeroporto.

Logo à vista do tamanho do autocarro que teria que transportar cerca de trinta elementos e alguns familiares, vimos que o mesmo seria muito acanhado. No entanto o autocarro teria que levar também as bagagens de todos nós, bem ataviada, pois não se sabia o tempo que iríamos encontrar e à cautela levávamos roupa de inverno e roupa mais leve.

Tudo junto era um peso enorme que o pobre e velho autocarro teria que suportar até Lisboa, mas com tudo bem apertadinho e arrumado, lá partimos calmamente pois faltavam mais de duas horas para o avião.

Por alturas da área de serviço de Santarém ouviu-se um ruído e era um pneu que tinha rebentado, tendo o motorista parado o veículo sob a ponte que logo ali estava. Pelo menos tínhamos sombra.

Tentou-se a reparação que durou quase uma hora e… tínhamos que seguir assim, devagarinho até ao nosso destino.

O carro ia de lado, tombava para o lado do pneu rebentado e vai daí só houve o remédio de irmos todos para o lado oposto, para aliviar a carga do lado da avaria e para equilibrar a viatura.

O carro andava mas muito devagarinho. Logo a seguir rebenta outro pneu do mesmo lado e já não se reparou, a viagem continuava até onde Deus quisesse.

As mulheres rezavam a Deus e a Nossa Senhora para que a situação melhorasse mas de poucos em poucos quilómetros tinha que se parar, pois havia o perigo de outros pneus não aguentarem.

Os nervos eram muitos mas havia sempre alguém que cantava, sorria ou contava anedotas para arrelia dos penitentes elementos cujas rezas eram interrompidas com tamanha algazarra. O cheiro a borracha queimada tresandava e o ambiente tornava-se irrespirável.

O tempo ia passando, ia passando quase sem se sentir e a nossa sorte foi que os bombeiros voluntários de Arruda dos Vinhos, conhecedores do nosso azar, trataram de enviar um autocarro da Associação, bastante melhor que aquele em que viajávamos.

Fomos informados pelo condutor e então sim fomos todos a rezar para que chegássemos o mais depressa possível à zona do Carregado, onde estacionaria o carro de Arruda, à nossa espera.

Por sorte e com a ajuda dos pneus resistentes e dos santinhos todos, lá chegámos.

E tivemos que mudar toda a bagagem e ocupar os nossos lugares mesmo ali, na berma da auto-estrada.

O maestro José Robert e quatro elementos já esperavam por nós no aeroporto para o embarque e iam informando a companhia de aviação da nossa situação.

Mais de meia hora depois da hora prevista para a partida lá chegámos ao aeroporto de Lisboa e por sorte o avião esperou por todos nós. O check-in foi rapidíssimo, foi só deixar a bagagem e correr para o avião.

Depois, passados os nervos e as atribulações, lá seguimos todos para a Bélgica, via Luxemburgo, para mais uma bela representação do Phydellius, de Torres Novas e de Portugal.

Só hoje me lembrei de descrever as peripécias desta viagem, feita de lado, a sorrir e a rezar e com dois pneus rebentados.

E como tudo felizmente acabou em bem, a história aqui fica para poder ser alegremente recordada.

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