SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 18:46

Férias no Algarve …..Férias ??? – (2)

 

E aqui estou eu a continuar a contar-vos as minhas inesquecíveis férias de 1979 no nosso Algarve, que vos comecei a narrar há precisamente quinze dias.

 

Como se devem lembrar tínhamos saído de Castro Verde bem depois do almoço mal comido, com um calor abrasador e com o carrinho reparado quanto baste para podermos com cuidado chegar ao nosso destino, à praia do Alvor, onde nos aguardava um casal amigo.

 

Lá fomos abastecendo de água o motor aquecido aí de vinte em vinte quilómetros, tal o estado de saúde precária da bomba de água.

 

Entretanto o casal de torrejano, nosso amigo, que já esperava há largas horas começava a desesperar sobre o que nos teria acontecido. Telefonaram para a polícia, para Torres Novas para os amigos comuns e nada que nos pudesse localizar. É que nessa época, ainda não estava generalizado o uso do telemóvel. Se tal existisse a nossa odisseia teria sido resolvida mais facilmente.

 

Entretanto lá chegámos ao destino já passava das 19 horas, para alegria de quem nos esperava ansiosamente. Lá contámos as partidas da nossa viatura e de pronto o amigo que nos recebia pôs o seu carro à disposição. “Andamos no nosso carro enquanto o Fiat 850 Special do Pinheiro não for arranjado”!…

           

Dessa forma parecia que a partir da manhã seguinte tudo iria correr às mil maravilhas. Logo de manhãzinha, para aproveitarmos a praia e o bom tempo que fazia, lá nos metemos na viatura Peugeot dos nossos amigos. Passadas poucas centenas de metros, o rádio do carro calou-se, os piscas deixaram de funcionar e toda a instalação eléctrica se desligou.

           

Bem rezámos aos anjos e aos santos, aos querubins e aos serafins mas o azar batia-nos de novo à porta.            De imediato se procurou um mecânico e lá apareceu um de tipo aciganado, que a muito custo lá pôs a parte eléctrica a funcionar e lá seguimos para a praia.

           

À hora do almoço fomos a um “take away”a Portimão buscar comida para podemos almoçar em casa, pois ficava mais em conta. Ao saír do carro a esposa do meu amigo disse ao marido: “Olha , fechei o carro e deixei a chave lá dentro, na ignição! E agora ?”. O meu amigo com uma calma celestial, que ainda hoje conserva, só respondeu: “Olha, agora o carro não pode ser aberto e não pode trabalhar e nós temos que comer aqui qualquer coisa até que alguém o abra”.

           

Por sorte o homem das chaves, o homem da Casa Hespanhol lá do sítio morava mesmo defronte do restaurante, era bombeiro tal como o meu amigo e lá conseguiu abrir a viatura e depois tratar de fazer algumas cópias das chaves para prevenir situações futuras. Mas isto só aconteceu no segundo dia.

           

Portanto estão a ver a cena dos meus primeiros dias de férias no Alvor, com o meu carro à espera de ser reparado e o carro do meu amigo fechado a sete chaves…

           

Eis senão quando entra no tal”take away”um meu antigo gerente de zona, o senhor Rocha, que ao ver-me me perguntou: “Então por aqui ? Está tudo bem ?”. O senhor vinha mesmo a calhar, contámos-lhe o sucedido e eu pedi-lhe o favor de me podia levar ao Alvor para eu resolver a situação com o meu avariado carrinho. Lá me levou, lá lhe agradeci e lá vim recolher o pessoal a Portimão, no meu fraquinho Fiat 850, ficando a outra viatura a reparar a fechadura.

           

No dia seguinte foi o meu carrinho que transportou o pessoal que deixei na praia e eu lá fui a Ferragudo, à Fiat, meter uma bomba de água novinha em folha enquanto o meu amigo fazia companhia ao bombeiro, para conseguir resolver o problema das chaves do Peugeot.

           

Lá regressei a casa no Alvor tendo os meus amigos regressado no seu Peugeot já com nova fechadura e meia dúzia de chaves. Agora sim, parecia que os restantes dias iam enfim ser felizes, mas…

           

O Peugeot tinha dificuldade em ligar com as chaves novas, mas lá ia andando e parando. Fomos ao mercado a Portimão comprar sardinhas para o jantar e beber uma bica e comer um bolinho numa Pastelaria que existia junto à Igreja Matriz, cuja proprietária era natural de Santarém e do conhecimento dos nossos companheiros há já bastantes anos. Ao sair, para regressar a casa, a noite tinha chegado e o Peugeot fez nova partida: Nada de electricidade, nada de rádio, buzina e faróis!

 

Lá fomos à Casa Inglesa e lá se compraram duas pilhas, uma iluminava para a frente e a outra iluminava para a traseira da viatura. Devagar, devagarinho, lá chegámos a casa no Alvor, não sem que no caminho alguém se tivesse lembrado do “triângulo” que se tinha posto atrás do carro avariado.

 

No dia seguinte lá fomos à Pastelaria, na esperança de que o sinal lá estivesse, recolhido por alguém. Mas qual quê, do triângulo, nem sombras…

           

Com o Peugeot na oficina, lá andava o meu pequeno Fiat a carregar todo aquele pessoal, bem aconchegadinho benza-nos Deus.

           

Até que já perto do final da quinzena se gozou uma bela manhã de praia, a ponto de regressarmos cedo a casa para o almoço, na perspectiva de voltar a banhos logo em seguida. Eu estava radiante e dava graças por enfim termos um dia feliz, sem avarias nas viaturas. Meti combustível, e dava largas à alegria de nada de mal nos acontecer finalmente. Nisto, o empregado das bombas disse: “Olhe amigo, não tenho nada a ver com a vossa vida, mas tem o pneu de trás furado”. Olhei, pensei em fugir dali e nunca mais voltar. Disse raios e coriscos e lá mudei a roda, mas a parte da tarde ficou estragada, pois tive que ir remendar o furo

           

Depois lá terminaram estas merecidas férias em que voltámos mais cansados e frustrados do que quando tínhamos ido, cheios de sonhos de descanso e de lazer, de belos banhos de mar e de sol.

           

Foi fazer as malas e vir com cuidado por aí acima, porque o carro do meu amigo aqueceu e foi-se várias vezes abaixo. E lá chegámos a Torres Novas cansados e desiludidos e cada um foi para sua casa sem dizermos nada uns aos outros.

           

E garanto-vos que nunca mais falámos nestas férias cansativas.

 Jurei que enquanto me lembrasse não voltaria ao Algarve, muito menos a um Sábado. Passaram anos, as estradas e os carros melhoraram e lá se venceu a mala pata que aqui venho recordar.

           

Um abraço aos amigos Mécia e Jorge Abreu, nossos companheiros de infortúnio e a todos vós leitores, com votos de boas férias com tudo a correr-vos pelo melhor.

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