SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 17:09

E o rio de palavras desaguou num lindo livro azul

 

Tudo começou em 30 de Agosto de 2002 com a publicação neste jornal do meu primeiro artigo, “Memórias 1- Os primeiros passos de dança”, em que recordei a minha primeira subida a um palco, no velho Teatro Virgínia ali no Largo do Paço, de que hoje apenas resta a memória num painel que o Município achou por bem ali colocar.

 

Foi numa festa da catequese, em 1955, tinha eu portanto apenas oito anos de idade, que comecei a minha experiência como actor de teatro, de fadista, de cantor e de dançarino, com referências elogiosas na imprensa local, pois não havia ainda televisão para aqui vir transmitir o espectáculo.

Aliás hoje há televisões a mais e a história continua igual, há muito melhores espectáculos e as televisões não vêm cá na mesma.

 

Vem a propósito o concerto oferecido pelos professores do Conservatório Phydellius, realizado na noite de 20 deste mês, no auditório do coral, que foi um espectáculo em qualidade musical muito acima da média e a televisão ou a rádio não estiveram presentes, como aliás fez questão de referir a pianista Olga Prats presente no evento e que para além de tecer rasgados elogios aos intérpretes e ao público, declamou um poema e tocou a convite uma peça de piano integrada na orquestra de professores.

 

Foi bonito de se ouvir, sentir tanta alegria na execução de todos os músicos e sobretudo sentir o respeito e o silêncio atento dos espectadores que enchiam a sala. Isso também referiu a pianista, visivelmente comovida por encontrar na nossa cidade um espectáculo de tanta categoria. Pena o espaço ser exíguo, a pedir para o próximo ano a realização do mesmo no Teatro Virgínia. E para memória futura fica desde já aqui o convite, que ninguém perca o próximo concerto de professores do Conservatório Phydellius.

 

Mas voltando a outros tempos, o meu segundo escrito publicado foi sobre o Montepio de Nossa Senhora da Nazaré, que felizmente hoje está rejuvenescido e pujante, graças a meia dúzia de carolas que muito têm trabalhado em prol da colectividade.

 

Seguiu-se depois o Choral Phydellius dos seus inícios, as memórias dos grandes José Manuel Cunha e Abel de Sá, músicos de relevo, depois a Rádio Local a que estive ligado alguns anos, os pombos correios uma das minhas maiores “doenças”, o futebol que eu sempre adorei, o hóquei em patins e algumas figuras da nossa terra que de alguma forma me marcaram, como a minha professora da escola paga D. Maria do Céu Prestes, o professor Carlos Pinheiro Saramago, o João Virolas da esplanada no jardim, o inesquecível Ministro (Manuel Pedro dos Santos) seguidos nas minhas memórias pelo meu Bairro de Valverde, pelas suas gentes e alcunhas pelos seus usos e costumes, pelas tascas da minha zona a começar no António Coxo e acabar na catedral, o Zé da Ana.

 

Outras Memórias fui desfiando ao longo destes oito anos de escriba, recordando pessoas como o Doutor Albino, o Doutor António Alves Vieira e o José Robert, pessoas que fazem afinal parte da nossa memória colectiva. Também recordei os meus avós, as pessoas que via da minha janela, e as belas banhocas que todos tomávamos na Nazaré e no Choupal da Ribeira, a nossa praia local.

 

Depois as recordações da nossa feira de Março, da chegada da etapa da Volta a Portugal em ciclismo, do hino do Valeriano e dos merceeiros de ontem e de hoje, em homenagem ao meu querido pai.

 

Sobre o Phydellius, onde ainda continuo desde os quinze anos, foram sendo contados alguns episódios pitorescos, o mesmo acontecendo com a Orquestra Típica Scalabitana. Depois a banca em Alcanede e na Golegã do S. Martinho, que recordei com saudade.

 

Fui escrevendo incentivado por muita gente, por amigos que se cruzavam comigo na rua e faziam referência a episódios das minhas e também suas memórias. Não eram muitos mas eram quase sempre diferentes, e isso agradava-me e estimulava-se a continuar. Também os directores de “O Almonda” Bento Leão e o padre Carlos Ramos, bem como toda a redacção me desafiaram sempre a continuar, a escrever mais, a não parar. A toda esta gama de amigos eu devo agradecer este desfecho, que hoje, dia 27 , Sábado à tarde, vai desaguar num livro azul que o Município editou, intitulando-o de “Crónicas Torrejanas 1”, que não é mais que uma pequena selecção de 16 Memórias publicadas.

 

É um livro de bolso, pequeno no tamanho mas enorme na intenção.

 

Para mim é uma grande honra e faltam-me as palavras para agradecer a todos os amigos este perpetuar das minhas palavras simples e despretensiosas.

 

Não sou escritor mas sou torrejano e sei agradecer a quem tornou este livro possível.

 

Para o Município, para os responsáveis pela Biblioteca, para o semanário “O Almonda” e para os meus leitores e amigos o meu eterno obrigado com a promessa de que vou continuar a escrever e a recordar, enquanto a memória o permitir.

 

Obrigado a todos.

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