SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 06:13

Rodas Quadradas – A primeira e única radionovela da Rádio Local de Torres Novas

  

A equipa Alfa era composta por seis elementos muito ligados à Rádio Local de Torres Novas (Rádio Pirata) e dedicava-se à produção e realização de alguns programas, nomeadamente informativos, de boa música portuguesa, culturais, recreativos e de entretenimento em que se misturava a parte séria com a parte cómica, a parte real com a parte puramente inventada. Os programas escreviam-se e alinhavam-se ali mesmo à porta dos estúdios, em papelinhos de todos os tamanhos e feitios e os programas directos e ao vivo, como costumávamos dizer, sem rede, ali saíam como saíssem directamente e sem filtros para casa de cada ouvinte.

 

Era precisamente a “malandragem” que engendrou a história do leão que fugiu do circo, era o “Nem mais nem menos” de cariz autárquico, a “Larachomania em pic-nic”, o “Sofá Cama” de entre outros programas de excelente (digo eu) qualidade.

 

Faltava um programa, especial, que alguém lembrou. Porque não uma radionovela ?

Na altura corria na RTP 1 a telenovela “Palavras Cruzadas” com a canção Telepatia de Lara Li utilizada como genérico musical e logo a nossa radionovela foi batizada como “Rodas Quadradas” aproveitando-se o referido genérico musical.

 

E todas as quartas-feiras em horário nobre lá estava a radionovela, que segundo o narrador que por sinal era eu, era a “Primeira e quiçá a única Rádionovela da Rádio Local de Torres Novas”…e foi mesmo, pois ao que nos conste mais ninguém teve a coragem e a distinta lata de tentar semelhante façanha na nossa rádio local.

 

As personagens que me lembre eram a Briolanja, moça ingénua e virgem de signo, o seu pretendente Almâncio, calceteiro marítimo e canalizador de profissão, havia ainda o “Pai da piquena” e outros figurantes que episódio a episódio iam passando furtivamente pela história.

 

As cenas tinham lugar regra geral no nosso jardim municipal perto da esplanada do Mourão que na radionovela era o “Morónne”.

 

De pé, sentados ou deitados num dos bancos do jardim os episódios do namoro sucediam-se e eram também escritos ali no estúdio, antes de irem para o ar, em directo, sem gravação prévia, que assim é que dava gozo.

 

E as cenas eram ora hilariantes, ora horripilantes e muitas vezes as risadas dos intérpretes eram inaudíveis porque para as tapar, havia sempre a música salvadora do genérico, a tal “Telepatia” da Lara Li. Nessa ajuda o Álvaro e o Fernando eram impecáveis, pois sempre foram bons em dar-nos música…

 

Os efeitos especiais do Álvaro foram também uma ajuda preciosa, com vento e chuva no inverno e canto dos passarinhos quando era primavera, porque infelizmente, ao fim de sete ou oito episódios a radionovela acabou, sem chegar ao Verão.

 

Existem gravações desses verdadeiros crimes radiofónicos. Sabemos bem onde eles estão e vamos fazer aqui uma promessa : Vamos tomar posse dessas gravações e numa data e hora a combinar, serão as mesmas radiodifundidas na nossa actual Rádio, se tal nos for devidamente autorizado, para fazer sorrir de saudades os mais idosos, como nós, e para que os mais novos fiquem a saber como saudavelmente loucos eram os jovens da nossa antiga Rádio Pirata.

 

Só precisamos de “assaltar” os arquivos secretos do colega Álvaro Mendes em busca das Rodas Quadradas, e com um petisco à maneira, ainda iremos sorrir ao voltar a escutar tanta palermice junta.

 

Vamos a isto que se faz tarde.

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