SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 19 Outubro 2020, 21:39

Juan Camer Um golo inesquecível

Os “jovens” da minha idade, recordar-se-ão bem de um homem bom, muito popular em Torres Novas e em toda a região, que jogou no nosso Clube Desportivo de Torres Novas, e que nos deu muitas alegrias pela sua bonita forma de driblar e pelos bonitos golos que marcava. Nasceu em 22 de Março de 1922 em Campana, Buenos Aires, Argentina e no seu país representou o C.A. Tigre (1940-43), os Newell’s Old Boys (1944-1946), o Racing Club  (1946-1947) e o Rosario Central (1947-1948) e neste ano transferiu-se para Espanha, onde representou o RCD Espanyol (1948-1950) e depois o Málaga (1950-1951).

É por volta de 1952 que ruma a Portugal e ao Clube Desportivo de Torres Novas, encerrada que foi a sua carreira de futebolista profissional.

Iniciou algures por essa altura a sua profissão de mecânico de automóveis, que aliava ao futebol e ao nosso CDTN. Foi sempre um artista em qualquer das posições de atacante e dava gosto vê-lo jogar com arte e salero, parecendo dançar o tango da sua terra natal.

Foi meu grande amigo desde essa altura e ao longo dos anos por diversas vezes nos sentámos numa mesa do Café Planalto e falávamos da vida e de futebol. Numa bela tarde, jogava o Torres Novas em casa, perguntei-lhe porque não ia ver o jogo nessa tarde. Pareceu-me desencantado com o futebol, explicando-me que se sentia mal por ver a “pelota” tão maltratada nessa época. Sabes, dizia-me, vi 22 jogadores e só um me pareceu ter habilidade para a bola, o Borga. Os outros devem ser todos bons rapazes e pouco mais.

A conversa continuava e noutro dia contou-me um episódio que recordava a sua passagem pelo Espanhol de Barcelona, entre 1948 -1950. Jorge, o Espanhol foi jogar para a primeira liga espanhola, a casa da Real Sociedad, em S.Sebastian.

“O estádio estava cheio que nem um ovo, e numa jogada de ataque eu fintei um, fintei dois, fui até à linha final, e em direcção à baliza driblei outro e fico, por uma pequena fração de segundos, perante o guarda-redes, que tapava o ângulo da baliza, desse lado. Ele dizia”  No me la metes” eu respondia, “te la meto”, “não me la metes” e eu “te la meto” e foi golo, “eu la meti”… um grande golo por sinal, que fez levantar os espectadores, mesmo os da casa, numa vibrante e prolongada ovação.

O mais curiodo é que o guarda-redes veio sempre atrás de mim, a perguntar-me : “por onde la metiste ?”, “por onde la metiste?” … e ainda hoje, passados muitos anos, onde quer que nos encontremos, antes de me saudar me pergunta: Por onde la metiste ?”.

Uma pequena homenagem a um homem bom, humilde, amigo do seu amigo, mas e sobretudo, um grande avançado de futebol, de categoria internacional, uma honra para o nosso Desportivo e para quem com ele teve o prazer de conviver.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2020 © Todos os direitos reservados