SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 16:23

Os nossos bailes particulares

Teríamos para aí os nossos catorze, quinze anos, na força da nossa verdejante juventude, altura de começar a arrastar a asa a algumas miúdas giras que frequentavam o Colégio de Santa Maria e a Escola Comercial – Formação Feminina e em Torres Novas não existiam pontos de diversão nocturna ou diurna, para que os encontros se concretizassem, a não ser as missas e mesmo essas eram divididas, tal como nos colégios, em rapazes para a esquerda e raparigas para a direita. Uma tristeza de vida. A malta, lembro-me bem, se queria umas banhocas, tinha que se deslocar às famosas piscinas de Tomar, e era um luxo frequentá-las. Quanto a bailes, existiam as festas de Santo António , as do Vale e as Festas do Castelo, mas dançar com uma moça era quase pecado, pois as raparigas que se prezassem não frequentavam bailes públicos. Restava então à nossa juventude, os bailes que alguns beneficiados que tinham gira discos e alguns bons discos em vinil, realizavam aos sábados ou domingos à tarde, em suas casas, quase sempre sem autorização dos pais das meninas, ou se a havia, as meninas tinham que levar pau de cabeleira, na generalidade outras moças que agradeciam a exigência. Eram assim os bailes particulares, onde a malta se divertia ao som dos êxitos da altura, em especial de música italiana, Marino Marini e Adriano Chelentano e da música francesa, Claude Francois. Francoise Hardi, sem nunca esquecer o Tango dos Barbudos, que nos metralhava a cabeça. Alguns destes bailes acabaram por ter má fama, mas isso era por despeito ou inveja de quem queria participar e não era convidado. Mesmo em férias, na Nazaré ou S. Martinho do Porto, os bailes privados eram hábito, pois era a única saída para a rapaziada ter uma moça nos braços e se isso acontecia ao ritmo de boa música, parecia estarmos no paraíso. Foi assim a nossa juventude, se queríamos música, que as tocássemos e isso aconteceu nos Kalyfas, nos Gringos, na Academia Pop e noutros grupos famosos e serviu para ampliar os locais de diversão da nossa malta nova. Felizmente que hoje é muito diferente, há música boa a todo o pé de passada e há discotecas e locais para a juventude se encontrar sem permissão paterna e sem “acompanhantes”. Mas confesso-vos que dantes, face às restrições, um baile tinha um sabor especial e a malta sabia divertir-se tanto ou mais que os jovens de hoje.

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