SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 00:26

O Campo de Aljubarrota – A vitória e a derrota

Já lá vão muitos anos, teria eu aí uns dez anitos, nem me lembro de quem me acompanhava nessa altura, mas fomos de abalada até S. Jorge, para um acampamento de 1 dia da Mocidade Portuguesa, com a intenção de aprendermos as tácticas e as técnicas no próprio campo da Batalha de Aljubarrota, que levou a que cerca de 6.000 portugueses levassem de vencida um exército castelhano de 36.000 homens.

Foi-nos então explicada a táctica do quadrado usada pelas tropas de D. Nuno Álvares Pereira e as trincheiras abertas durante a noite anterior à batalha, onde se meteram soldados portugueses com lanças bem afiadas, que iam eliminando as centenas de cavalos espanhóis que para ali foram atraídos.

Os terrenos circundantes à batalha são de uma beleza paisagística inesquecível, com vales profundos e ribeiros murmurantes, uma vegetação rica em árvores florestais, que hoje apenas fazem sentir palpitar os corações enamorados e nunca a recordação de ali ter sido vertido imenso sangue luso e castelhano.

Num nicho exterior da capela lá vimos a bilha que simboliza a água que matava a sede aos guerreiros.

Na hora do almoço aprendi a cozinhar a primeira refeição da minha vida, bacalhau cozido com batatas e legumes, num grande panelão que deu para matar a fome à juventude.

E a fome era tanta que ainda me lembro do sabor. No fim houve maçãs e peras para todos e contentem-se.

Desta inesquecível viagem de estudo guardo para o fim uma história que comigo ocorreu e que não teve um final feliz. Acontece que um dos amigos era da zona, foi visitado pelos pais, que lhe levaram dois cãezinhos perdigueiros, ainda bebés, para oferecer aos amigos.

Como adorava cães nessa altura, adoptei logo um deles, que trouxe para casa encantado com o presente.

Ora quem não gostou nada da oferta foi o meu pai, que de imediato me obrigou a dar o cãozito a outro, pois não havia espaço em casa e não podia aumentar as despesas.

E lá fui eu, desgostoso, entregar o bonito perdigueiro não me lembro a quem.

Em conclusão, regressei vitorioso de Aljubarrota, mas fui derrotado na batalha canina com o meu querido pai.

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