SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 16:33

Uma noite de verão – GACA 2 em 1971

Corria o verão do ano de 1971 e nesse ano o calor era quase insuportável sobretudo para quem tinha de usar uma farda militar de tecido grosso, calça, camisa, blusão com gravata e boina a tornar quase heróico o esforço de toda a tropa que estava incorporada no Grupo de Artilharia Contra Aeronaves nº 2 (GACA 2) sediado na então vila de Torres Novas.

O convívio entre furriéis, alferes e tenentes milicianos era muito amigável e informal e muitas vezes se frequentavam conjuntamente o Oásis, a Viela, a Chaminé e o Zé da Ana, o Marujo, o Portugal, o Crispim e o Valeriano, sem esquecer o Central. Almoçava-se muitas vezes no Crispim e no Paranito e alguns acabavam no Babalhau, na cervejaria do Tomás, antiga glória do Clube Desportivo, natural de Olhão e que, com os seus vastos conhecimentos algarvios, recebia muito marisco fresco  dali proveniente que deliciava a estimada clientela, neste caso a militar, claro está acompanhado pelas imprescindíveis  imperiais, canudos e canecas de cerveja fresquinha como convinha.

Alguns desses oficiais e sargentos aqui ficaram, constituíram família e ainda hoje participam activamente na vida da comunidade torrejana, como são os casos que relembro de Eduardo Bento, Carreto, Barata e Ramalhosa, e bem assim dos recentemente falecidos Capitão Varela e Bento Barbosa Leão.

Ainda há pouco tempo me encontrei casualmente com o alferes Rei, um companheiro desse tempo, que vive na região do Pego – Abrantes e que casou com uma moça torrejana, a Maria do Rosário (Balrista) que foi elemento do Choral Phydellius alguns anos.

O Alferes Rei explora uma Farmácia salvo erro no Pego há bastantes anos.

E haverá muitos mais colegas que se fixaram , como os casos mais antigos dos sargentos Meira, Afonso, Fonseca de entre outros que a memória já não consegue nomear.

Foi de facto uma amizade fraterna a que se viveu durante alguns anos no GACA 2 e pena tenho eu de não poder comparecer regularmente aos almoços de recordação desses bons velhos tempos, que o colega Crachat, de Minde, ano após ano tem realizado e nunca se esquece de me convidar. Aos poucos reencontros a que compareci, muitos cabelos brancos onde havia cabeleiras fartas e muitas carecas geralmente bem polidas e envernizadas e ali está sempre malta de todo o lado, desde o Algarve a Lisboa, do centro e norte do país, já sem a agilidade de outrora mas mantendo felizmente a boa disposição. E até pode ser que eu esteja presente no próximo encontro.

E a propósito destas recordações lembro-me de se ter combinado entre a malta que estava de serviço num fim-de-semana uma mariscada fornecida e cozinhada pelo já referido amigo Tomás, que começou a ser servida cerca das 22 horas, à luz do luar numa bela noite de verão. A festa durou até o sol dar pelos joelhos e ali estiveram mais de vinte amigos, praças, sargentos e oficiais, milicianos e do quadro permanente, numa noite de muito calor refrescada por muita e boa cerveja e acompanhar os pobres bichinhos de bigode, que tinham vindo nesse dia expressamente do Algarve para o nosso aparelho digestivo.

Já não recordo com precisão quem ali esteve, para além do furriel Xavier que era de Tavira e geralmente ficava no quartel aos fins de semana, alguma malta de Barcelos e do Porto, o Alferes Martins das Fazendas de Almeirim, os furriéis Maia e Silvestre do Entroncamento e alguns torrejanos como era o meu caso.

Foi uma noite de “guerra” a sério, com anedotas, risadas, paródia e cantigas, uma noite ao relento num terreno anexo aos hangares ali existentes na altura, mas foi sobretudo uma noite entre bons amigos, para nunca mais esquecer, e aqui estou eu a recordá-la parecendo-me que foi ontem.


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