SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 13:07

Columbófilia – mais de 90 taças

Nos tempos em que eu era secretário da Direcção da Sociedade Columbófila Torrejana, numa época em que tal como agora, as receitas não abundavam, tínhamos a nossa sede por debaixo do Rogério, mesmo defronte da Farmácia Lima, no local onde antigamente esteve o café do senhor Manuel, um fervoroso benfiquista.

A Direcção da SCT reunia semanalmente e chegada a época de elaborar o Calendário de Provas, havia necessidade de gastar em taças, uma largas dezenas de contos (hoje centenas de euros).

Éramos na altura cerca de 60 concorrentes e era habitual em final da Campanha Desportiva oferece-se uma taça a cada um. Depois havia as cerca de 20 provas, e pelo menos eram mais 20 troféus. Depois a Taça Eliminatória de Pombais e os diferentes Campeonatos de Velocidade, Meio Fundo, Fundo e Geral, que, a cinco taças cada um davam mais 20 taças.

Se bem contaram era preciso adquirir mais de 100 troféus e a Direcção não tinha dinheiro. Ou se aumentava a taxa de envio por pombo aos concursos, o que iria prejudicar os mais pobres, que éramos quase todos, ou teria que se levar a cabo uma Campanha de Angariação de Prémios.

Lembro-me de ter assumido a liderança e o compromisso de colaborar com mais dois ou três colegas.

Trabalhava eu na altura no Banco Fonsecas & Burnay na Golegã, era um mero empregado administrativo sem poderes de decisão e por essas

razões estava à vontade para ser “pedinchão”.

Elaborei umas cartinhas simples timbradas pela Sociedade Columbófila Torrejana a solicitar um troféu e comecei a entregá-las pessoalmente e foram cartas para empresas da Chamusca, da Carregueira, da Cardiga, do Entroncamento, da Azinhaga, de Torres Novas e claro está da Golegã.

Ou era eu que tinha muita lata e caía no goto dos clientes e amigos visados ou eram eles que achavam que deviam colaborar e começaram a chover taças de todos os lados e todos os dias.

No final do dia eu trazia-as para casa e comecei a arrumá-las na mesa da minha casa de jantar.

Taças, maiores ou mais pequenas, algumas de prata, outras de casquinha, a coisa foi-se compondo de tal maneira que chegou a atingir as 92 taças se bem me recordo. Só sei que a mesa, mesmo alargada, já era pequena para tanta taça. Foi nesse ano que o José Torres ofereceu um troféu que intitulou “Família Torres” e que muito me sensibilizou.

Com as taças que os outros dois colegas conseguiram, no final eram mais as taças que os premiados, mas nada se perdeu porque ficaram já alguns prémios para o ano seguinte.

Agradeci aos empresários e amigos “cravados” e jurei-lhes que nos próximos dez anos não voltaria a incomodá-los, o que de facto aconteceu.

É que já nessa altura eram os comerciantes e os industriais a pagarem a factura das dádivas para tudo.

Quando transferi as taças para a sede da columbófila a coisa foi falada e eu fiquei “bem na fotografia”.

Dessa forma se conseguiu uma das boas distribuições de prémios na SCT, sem quaisquer gastos para a colectividade.

A minha recordação de director é agradável, mas muito se tem que trabalhar naquela e nas outras colectividades, quando se faz parte das direcções, dando do nosso tempo e esforço sem nada receber em troca.

Para os antigos e para os actuais directores e para os praticantes deste desporto, vai a minha homenagem sincera.

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