SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 18:12

Torres Novas 0 – Feirense 7 – Eu bem podia ter escolhido outro jogo !

Foi em Junho de 2000 num jantar de amigos no Restaurante Brisa de Aire, local onde habitualmente confraternizávamos, que falando do Clube Desportivo de Torres Novas, fiquei a saber que naquela mesa, estavam seis sócios do clube já bastante antigos, que me disseram que tinham as quotas em dia, que eram todos sócios já muito antigos e que tinham uma coisa em comum, já não iam ver os Amarelos há mais de quinze anos.

Confesso que fiquei admirado com a rara situação e logo ali, à mesa do jantar lhes fiz um repto, avisando-os que não me podiam responder que não.

Os referidos amigos e torrejanos de sete costados, alguns deles com bons serviços prestados há muitos anos ao clube eram os seguintes: Alfredo Galinha, Manuel Dias, Carlos Veríssimo de Carvalho (Pé de Vento), Fernando Sirgado Rodrigues, Manuel Matos Silva e Jacinto Caetano Martins, tudo homens muito conhecidos em Torres Novas e que sempre deram às colectividades enorme apoio, tendo alguns deles sido dirigentes do clube e um deles foi mesmo Presidente da Direcção do Clube Desportivo de Torres Novas.

O meu repto, foi o seguinte, “já que não vão ver o Torres Novas há mais de quinze anos, porque não irmos ao jogo seguinte, exactamente o Torres Novas – Feirense , que até tinha a curiosidade de vermos actuar pelo Feirense o torrejano Casquilha, um torrejano ilustre, tal como eles?”.

Depois de algumas hesitações lá consegui que o grupo se reunisse no dia 11 de Junho de 2000 às 15 horas, perto das bilheteiras e assim foi. Entrámos no estádio com ligeiro atraso, cerca de 10 minutos, tempo suficiente para termos perdido o primeiro golo da partida e para o Feirense.

Sentados na bancada lateral, lembro-me que fazia um vento frio bem intenso e os “jovens” adeptos lá se sentaram a meu lado, acreditando na recuperação do resultado. Lembro-me que se juntou a nós o António Luis Alho.

O jogo prosseguiu, mas o Feirense, que salvo erro nessa época foi o primeiro classificado da II Divisão – Zona Centro, tinha uma senhora equipa, alguns furos acima dos nossos “amarelos”.

A seguir ao primeiro que não pudemos ver, veio o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto golo do Feirense e os meus queridos amigos já me olhavam de lado, desconfiados do convite que lhes fiz.

O caso não era para menos, pois nunca imaginei que os tivesse convidado para ver o Torres Novas levar, em sua casa, uma das maiores abadas da sua história brilhante.

Aos cinco a zero aconteceu o inesperado, a debandada geral dos meus seis amigos, que me agradeceram o convite e me deixaram a falar sozinho, não sem que antes me dissessem para nunca mais eu me lembrar de os convidar.

O jogo continuou e sei que no final o Feirense ganhou ao Torres Novas por sete a zero.

Vá lá um homem encher-se de boa vontade e tentar recuperar de uma só vez 6 gloriosos adeptos do Desportivo.

Na realidade se eu fosse bruxo, teria escolhido um jogo mais acessível, mas vá lá a gente adivinhar.

Dos seis amigos que aqui refiro, quatro já partiram para a terra da verdade e ainda restam dois, com quem espero conviver mais uns bons pares de anos, o Fernando (Campeão) e o Jacinto (Fogueteiro).

O Clube Desportivo de Torres Novas recompôs-se dessa goleada e cá continua bem vivo nesta época difícil para todos.

Os homens partem, mas a obra fica sempre.

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