SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 20:05

Columbofilia – Duas Histórias para recordar

Este desporto que foi e ainda é uma das minhas grandes paixões, sempre deu azo a algumas partidas e situações grotescas, que nos fizeram rir a bom rir.

Lembro-me por exemplo de numa chegada de fundo, de mais de 600 Kms., estarmos eu, o Valdemar e o Adriano Alho no pombal deste último, que se situava numa travessa que dava para o Rossio de S. Sebastião, a mirar os céus por volta das 4 da tarde a vermos se chegava o primeiro pombo. O José Manuel Bué, juntou-se a nós e tal como nós começou a observar o céu.

De repente avista-se um pombo que parecia vir na direcção do pombal. Toca de assobiar, de abanar a lata da comida, de nos termos escondido e de só ficar à vista o Adriano.

Mais assobio e apitadelas e o pombo de entrar nada, a tal ponto de se deixar de ver e a malta a dizer que se espantou, que era dali, mas que se tinha assustado.

Nisto, o José Bué que também tinha enviado pombos disse que ia até casa em S. Domingos, alegando que podia ter-lhe chegado algum pombo. Lá saiu, com ar matreiro e desfazendo-se em riso, gritou da travessa para o Adriano : “Já te enganei. Esse pombo era meu e foi solto por mim quando aí cheguei”! O Adriano não gostou nada da brincadeira, lá lhe chamou alguns nomes que me recuso a referir e o dia lá continuou.

Em final do dia, Deus escreveu direito por linhas tortas e o bom do Bué esperou no seu pombal, esperou até à noite e teve uma “brancura” terrível. Não teve nem um para amostra.

O Adriano só lhe dizia : “Cá se fazem, cá se pagam !”.

Noutra ocasião e noutra prova, estava eu e o meu primo Lince no descampado que vinha desde o Babalhau até ao Carreiro da Fonte, local onde hoje estão as torres do Babalhau, que era o local dos pombais do referido Lince e do Valdemar de Matos uns metros mais acima.

O terreno entre pombais estava separado por uma vedação e o Valdemar estava à espera dos pombos à frente do seu pombal como mandam as normas. De repente ouvimo-lo gritar: “Olhem vem ali a minha Mansinha” e de facto vimos uma pomba malhada algumas centenas de metros acima e a “picar” de asas fechadas para o local onde estava o Valdemar, que por sua vez estendeu as mãos e não é que a “Mansinha” lhe poisou mesmo na mão direita ?.

Se eu não visse não acreditava. O Valdemar levou a pomba que vinha a uma hora muito boa, para os primeiros lugares, entrou com ela no pombal, tirou-lhe a anilha de borracha para efectivar a constatação e ficámos à sua espera, para ver a sua alegria.

Só que o Valdemar nunca mais saía e começámos a ouvir: “Ai Jesus, ai Jesus, ai Nossa Senhora, ai quem me acode?”.

Lembro-me de ter saltado o arame farpado e corrido para ver o que se passava e chegado ao seu pombal ele me ter dito: “ É a anilha de borracha, saltou-me para o chão e não a encontro”. O Valdemar estava de gatas e todo sujo porque o chão do pombal não estava propriamente limpo. Estava branco como a cal da parede e de anilha nem sinal.

Levantou-se e em último recurso foi ver se a anilha estava na dobra da sua calça e não é que estava mesmo?

Lá a meteu no dedal e a constatou, lá começou a sorrir e a limpar a porcaria das mãos e das calças e foi uma risota geral.

Vá lá, com tantos ais ainda pensámos em coisa pior, mas era só a anilha de borracha. A coisa não correu muito bem, mas que a chegada da mansinha em voo picado para as mãos do Valdemar foi um espectáculo inesquecível, lá isso foi.

E eu, que só estava a assistir, para ir em socorro do aflito Valdemar, é que me lixei, pois rasguei as calças ao transpor o arame farpado da vedação. Foi para arejar arejar.

Coisas dos pombos com alguns tombos.

jorgepinheiro47@hotmail.com

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