SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 16:01

A fome não é um dever constitucional!

Segundo notícia da RTP Noticias, de Raquel Mourão de 17.10.13, e passo a transcrever, “O antigo líder do CDS-PP Adriano Moreira, considera que se está a atingir o limite da resistência em Portugal, porque a fome não é um dever constitucional.” Daí a razão de ter usurpado a frase, que tem autor, Adriano Moreira, figura com toda a autoridade moral e perfeitamente insuspeita, para título deste artigo e que se enquadra no momento trágico que vivemos.

Da mesma notícia, sobre a conferência na Academia das Ciências de Lisboa, “o Presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, avisa que um ser sem esperança é socialmente perigoso” e chamou ainda “a atenção para um balão que pode estar prestes a rebentar com sinais de explosão social. António Saraiva defende que é preciso explicar bem as medidas tomadas e apresentar resultados”.

Também Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, segundo noticia do JN de 20.10.13, com o titulo “Calamidade moral nas medidas do Orçamento” disse à Rádio Renascença, “que as actuais politicas económicas em Portugal representam uma “calamidade moral”, sabe do que está a falar, tendo em conta a proposta de Orçamento do Estado para 2014.” Mas Bruto da Costa disse ainda que “O défice orçamental nunca é alcançado e a divida pública não para de aumentar, porque as politicas em curso têm um efeito recessivo com efeito contrário ao desejado”. Toda a gente sabe que isto é verdade menos aqueles dois senhores, que não se gramam como é público, e que habitualmente não falam de Portugal quando estão no estrangeiro, mas desta vez, no Panamá disseram, bem alto, que tudo está a ser feito para salvar o país. Em sintonia, o Presidente da C.E., também defende a confrontação com o Tribunal Constitucional. Resumindo, isto anda tudo ligado.

Até a Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal (EAPN Portugal), ainda segundo o mesmo JN, página 8, “faz um apelo com “absoluta urgência”, aos responsáveis políticos do país para que dêem, na sua agenda, prioridade aos objectivos de “luta contra a pobreza e à exclusão social”. São vozes proféticas de bom senso antes que estale a revolta do povo demasiado sacrificado.”

Face a estes e a tantos outros alertas, de tanta gente com a cabeça em cima dos ombros, não consigo perceber o que vai na cabeça daqueles senhores que tudo têm vindo a fazer para que este país, com mais de 800 anos de história, seja entregue de vez e de mão beijada, ao grande capitalismo neo-liberal, que tudo, mas tudo, quer para ele, não deixando nada, mas mesmo nada, para a plebe que somos nós todos. Aliás, esta estratégia só se podia conseguir com uma equipa de empregados subservientes, quais “bons alunos”, que só devem estar a pensar no sossego do seu futuro, numa qualquer prateleira dourada, se entretanto pelo caminho não encontrarem engulhos imprevistos.

A fome não é um dever constitucional. Mas é para a fome generalizada que caminhamos a passos largos como se a Constituição, que eles abominam, assim o determinasse. Com a destruição de um país como está a acontecer, com o desaparecimento prematuro da sua população, os sobreviventes vão passar muito mal e a escravatura pode vir a estar de volta se nada for feito para combater essa tragédia que se pensava erradicada do Mundo e principalmente da Europa.

A tragédia está aí. Direitos adquiridos, para a plebe, deixaram de existir e por isso é que são cortados os ordenados da função pública enquanto lhe aumentam o horário de trabalho, por isso é que os mesmos são “convidados” abruptamente a irem para o olho da rua, por isso é que são cortadas as pensões de reforma, de velhice, de invalidez e até as de sobrevivência e de “subvivência” a quem trabalhou uma vida inteira, fez os descontos que lhe mandaram e agora são obrigados a sair pela porta baixa, como uma mão à frente e outra atrás.

Direitos verdadeiramente adquiridos pertencem exclusivamente aos benfeitores das Parcerias Público Privadas, das Rendas Energéticas, dos Subvencionados da política, dos beneficiados do BPN, dos Swaps, da grossa Economia Paralela, das Dividas Fiscais que vão prescrevendo e outras coisas mais. Mais nada.

Mas como se os tais cortes loucos e cegos não bastassem, temos os aumentos loucos nas rendas de casa, temos os aumentos já anunciados para a energia eléctrica e certamente também para o gás e os outros combustíveis, mas ainda vamos ter o IMI, que para o ano de 2014, segundo a proposta do OE, já não terá a cláusula de salvaguarda pelo que o seu aumento pode chegar, em muitos casos a loucuras percentuais, na ordem dos 4 a 5.000 por cento, para que as casas de cada um passem para a mão dos suseranos e os escravos voltem para as barracas, para as pocilgas, para as grutas, porque os escravos não têm direito a nada.

Eles não ouvem as palavras do insuspeito Professor Adriano Moreira, quanto mais as dos seus companheiros de percurso como Bagão Félix, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes ou Marcelo Rebelo de Sousa.

Eles também nunca leram o Padre António Vieira, e é pena porque aprenderiam muito se tivessem liberdade de pensamento e capacidade para tanto.

Eles nem sabem ler os sinais das grandes manifestações do passado Sábado dia 19, que desta vez foram pacíficas, mas porque tudo tem os seus limites outras podem vir a acontecer com resultados bem diferentes.

A terminar, afirme-se de forma sublinhada, “a fome não é um dever constitucional”, mas, diga-se em abono da verdade, a fome também não é boa conselheira.

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