SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 12:45

No Teatro S. João no Entroncamento

Por volta do ano de 1965, o conjunto torrejano Academia Pop foi convidado para um concerto pop-rock a um sábado, na vizinha vila do Entroncamento. O concerto teve lugar no Cine Teatro S. João e connosco estiveram presentes os conjuntos “Os Corvos” de Abrantes e “Os Kakos” de Vila Franca de Xira, dois conjuntos afamados na região e já com provas dadas, o que não acontecia connosco, que devíamos ter uns seis meses de existência.

Possuidores de repertório já consolidado, os dois conjuntos que referi arrastaram claques bastante numerosas, com muitos jovens de ambos os sexos, que se manifestavam com gritinhos mais ou menos agudos no apoio ao seu conjunto.

A Academia Pop não levou atrás de si quase ninguém, éramos muito pouco conhecidos e a nossa presença foi um desafio enorme.

Lembro-me que fomos os primeiros a actuar. A início poucos foram os aplausos, mas a partir do Yesterday, do Hei Jude e do Obladi Obládá, do Summertime, a coisa começou a aquecer e os aplausos começaram a engrossar, as meninas já gritavam e a malta aquecia e entusiasmava-se. Lembro-me bem de na canção “When the saints go marching in” a malta se empolgar e entrarmos no improviso, com solos de viola, bateria e baixo à mistura.

Ganhámos claque, conseguimos a amizade e elogios dos elementos das outras bandas e eu não me lembro de dar tantos autógrafos no final de um concerto.

O José Manuel Fanha, o José Vicente, o Mário Abreu, o José Simões e eu próprio ficámos entusiasmados por esse êxito, o primeiro do novel conjunto e que deu bastante brado a quem assistiu.

Depois outros sucessos se seguiram, no Hotel Cinquentenário em Fátima, no Fundão, em Arganil, no Colégio de Santa Maria em Torres Novas e em Ofir e pena foi que chegasse a altura da guerra colonial, que levou muitos de nós para África e a Academia Pop não mais voltasse a actuar.

Aqui fica a recordação de uma bela actuação no Entroncamento da nossa “banda” dos anos sessenta, em que fazíamos milagres com os meios técnicos que dispúnhamos, comparados com as técnicas dos nossos dias.

A todos os músicos que nunca souberam uma nota de música aqui fica um abraço bem afinado, como o era antigamente.

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