SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 10:45

Que vivam os noivos !

Nos tempos actuais, para os jovens que se casam tudo são rosas e facilidades, existem casas que só se dedicam a casamentos, batizados e outras festas, com lotações de algumas centenas de convivas, com cozinha apropriada e ementas diversas, das mais requintadas e caras até às mais singelas, bastante mais baratas, mas sempre caras para as bolsas dos pais dos noivos. E é sempre muito difícil marcar uma data disponível para a boda, nesses estabelecimentos, tal o movimento.

Há sempre música ao vivo, com músicos ou conjuntos contratados, bolo dos noivos cortado em local a isso reservado, bem banhado a espumante e algumas vezes acompanhado de fogo-de-artifício, e as prendas já obedecem a listas que algumas casas do ramo elaboram conjuntamente com os noivos, para evitar repetições, para além de muitos euros oferecidos aos nubentes, com desejos de muitas felicidades futuras.

Há sempre as criancinhas muito bem vestidas que levam as alianças no acto e até existem nalguns casos as damas de honor, para casamentos mais monárquicos.

Na cerimónia do casamento, quer civil, quer religioso, há quase sempre música mais ou menos clássica, cânticos a solo ou em coro e regra geral nunca falta a célebre marcha nupcial.

Não falta ali nada, é tudo do melhor e do mais belo, senhoras elegantemente vestidas ou despidas conforme o ponto de vista e cavalheiros com fatiotas apertadas a pôrem as suas roliças barrigas em evidência, isto para não referir os sapatos novos muitas vezes apertados

e senhoras com chapéus dos mais variados feitios e tamanhos, alguns parecendo mesmo um ninho de pássaros.

Os noivos regra geral já possuem casa própria, carro ou carros topo de gama, e partem em viajem de núpcias para cabo Verde ou para a República Dominicana o que já se está a tornar muito banal. Temos que variar e as Maldivas ou a Austrália em breve virão, como destinos privilegiados.

Depois, meses passados começa a realidade a impor-se e a coisa resulta muitas vezes em divórcios de comum acordo, em separação com a disputa dos filhos do casal, em atrasos no pagamento dos leasings para os pópós ou da prestação do empréstimo da casa.

E é aqui que entram os paisinhos e muitas vezes até os avós, que têm que suportar todos esses pagamentos e acolher nas suas casas os filhos que em tão feliz hora, tinham decidido formar família. Por vezes saiu um e voltaram três…

No meu tempo quase nada disto existia. Claro que os casamentos de gente rica eram ricos à medida dos papás, havia muitos convidados ilustres, com cartolas e rabos de bacalhau, alguns deles alugados, e as viaturas eram de igual modo luxuosas

Casava-se em igrejas ou capelas mais finas, escolhidas pela família da noiva, e eu lembro-me de uma cerimónia em Seteais (Sintra) em que o Phydellius cantou.

E era grande a aflição dos pais para que a plebe coralista não fosse para a boda na Quinta de Seteais. Lembro-me que não fomos, mas que nos vingámos a comer e a beber, num restaurante na Avenida da Igreja em Lisboa e onde até se bebeu absinto, magistralmente pedido pelos “doutores” Pinto Ângelo e José Carlos Governo.

E olhem que até eu provei a bebida que Nero bebia aquando do incêndio de Roma. Pode ser uma bebida rara, mas prefiro um bom tinto alentejano a essas antiguidades clássicas.

Só faço ideia da cara do pai da noiva ao pagar a factura do restaurante onde a malta do Phydellius comeu e bebeu.

Noutra ocasião num casamento na Capela de Olaia, o Phydellius também cantou naquela cerimónia e cantou durante a boda num jardim duma quinta senhorial na Lamarosa.

Houve ordem para a malta comer, havia muito marisco mas o pior foi depois, com muita rapaziada do coro muito mal da barriga.

Mas continuemos e voltemo-nos para os casamentos da classe média baixa, que foi o meu caso. Ainda quero referir-me aos casamentos nas nossas aldeias, em que eram as mulheres da família dos noivos quem con-feccionava os pratos e em que a festa começava à mesa logo na sexta feira à noite, quando o casamento era no Domingo.

Depois da boda e enquanto houvesse comida, eram mais dois ou três dias de lambança até se desistir.

No nosso caso a boda já foi fina, foi no Restaurante Rogério na Praça 5 de Outubro, com algumas dezenas de convidados, quase todos familiares.

Ficámos na sala de cima (antiga columbófila) e por simples acaso o Manuel Carapinha da Brogueira e sua esposa, fizeram a boda mas no restaurante, maior, mais fino e logicamente mais caro.

Após nove anos de namoro, lá nos casámos na igreja de Santiago com o padre Vitorino sempre bem disposto como era hábito e tivemos direito à presença do Choral Phydellius e tudo, já que éramos elementos há alguns anos.

Foi aí que o José Robert se estreou como maestro do Phydellius, em 15 de Agosto de 1971.

Hoje, passados que já são quase 42 anos, sabe bem recordar as realidades que ao longo dos tempos se vão alterando e desejar a todos os futuros noivos uma vida de inteira felicidade e harmonia.

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