SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 08:00

1955 -A récita no Virgínia velho – II Parte

E eis-nos de novo aqui, após o intervalo, para vos relatar e recordar a 2ª Parte da Récita, muito participada por meninos e meninas da nossa terra, na altura com idades dos oito até aos 11 ou 12 anos.

As Cenas de Jardim iniciavam-se com um grupo de “Meninas Brincando”, que pelo palco cirandavam, mais ou menos desordenadamente e elas eram : Maria Manuela Alcobia, Fernanda e Maria do Céu Paulino, Maria Margarida L. Faria, Maria da Conceição e Bárbara Maria A. Ferreira, Maria do Céu R. Soares, Maria João, Maria Teresa, Ana Maria Zuzarte e Maria Antonieta Santos.

De seguida teve lugar o quadro dos “Saloios” protagonizado pelo par Maria Antónia Pereira Simões e José Luis Pereira Gonçalves este trajado de magala, que namoriscava a sua cachopa. Pelas fartas palmas penso que o par de saloios se saiu a contento.

Terceiro quadro desta II parte, o tema “Bailarinas”, onde só entravam meninas e fartaram-se de ensaiar para que o número resultasse como aconteceu num belo momento do espectáculo. Destas meninas dançarinas, respigam-se os nomes de Maria Fernanda Coelho, Maria Cristina Alves Vieira, Vanda Maria Zuzarte Reis, Maria Antonieta Alcobia, Maria João Morais, Ana Maria Galamba, Teresa Maria Rodrigues e Maria de Fátima Cotovio, minha querida prima.

Depois veio um “Par do Século XV” – Ana Maria Patrício Lopes Pereira e Maria Lúcia Gonçalves Rola, duas catraias a evidenciar que já nessa época os homens eram poucos e com tendências a acabar.

“Estátuas”, mais um número vistoso, com Ilda Gomes, Maria

Margarida Oliveira,  Margarida Alcobia, Júlia Pontes, Filomena Caldas e Maria Margarida Alves Vieira.

Seguiu-se a poesia, “A tentação do Menino Jesus” por Maria Bernardete e dois poemas declamados por Fátima Costa.

João Manuel M. Sentieiro cantou de seguida o tema “Garoto da Rua” e fê-lo de forma espectacular, tantos os aplausos que se ouviram nas duas lotações esgotadas.

Depois os “Ratinhos” que eram a Maria da Luz, a Maria Manuela, a Maria Filomena e o Manuel Alcobia. E foi aqui que entrou o “Gato” interpretado pelo Pedro Vassalo, um gato a preceito, matreiro, felino, com farta bigodaça a meter respeito às ratazanas.

Cá o Jorge, (e eles a darem-lhe com o Jorge Patrício) vestido a preceito de campino, cantou o Fado de Vila Franca. E recordo-me de, em qualquer dos espectáculos, ter recolhido do público “carradas” de rebuçados e chocolates que me lançavam para o palco e que eu ia agradecendo e metendo a maioria tão depressa quanto podia para dentro do barrete verde, pois só dessa forma evitava que os outros artistas, e eram imensos como descrevo, se governassem com alguns dos deliciosos rebuçados que me atiravam. Eram uma cambada de gulosos menos eu, está-se mesmo a ver.

Mas os rebuçados e drops chegaram bem para mim e para alguns amigos e amigas que se lambuzaram como puderam nessas tardes teatrais. Lembro-me de ter dado o barrete com os rebuçados a minha mãe, para que o guardasse de maus instintos alheios.

A seguir aconteceu a “Serenata” de Coimbra, que teve como cantores e músicos, os “doutores” João Manuel Maia Sentieiro, José Abreu, Jorge Gabriel, Pedro Jorge A. Vieira e Rui de Oliveira Trincão.

O sucesso foi de tal ordem, que chegou às nossas festas da cidade, se bem que agora os fadistas vão de barco no Almonda.

Antes da apoteose final, a Maria Bernardete ainda declamou o poema “A Assunção” e lá chegámos ao último número, o Baião, dançado e cantado com sotaque e tudo, pelos seguintes pares: Ana Costa e eu, que fomos solistas, cantando a “Saia bonita de renda de bico, põe a laranja no chão tico tico…”, Isabel Branco e António Caramelo, Maria Teresa G. Clara e José Luis Gonçalves, Ana Maria Galamba e Carlos Galamba, Maria João Morais e Eduardo Bué, Maria José Trincão e Carlos F. Alves Vieira, Maria M. Caramelo e Carlos Alberto Simplício, Maria do Carmo Alves Vieira e Vitor Manuel Pereira da Rosa, Maria Antónia Simões e Rui H. de Almeida, Magda Vences e Carlos Augusto Vidal, Maria Felisbela Simplício e Carlos Lavos e Maria Isabel Gorjão Clara e Jorge Manuel da Silva Gabriel.

Doze pares de baianos, vestidos a rigor, entusiasmaram os assistentes e o quadro teve que ser bisado e tudo.

Só me resta acrescentar que a música de toda a récita esteve a cargo de uma Orquestra e da pianista Maria Gracinda Aires.

Conforme reza no programa, a apresentação do espectáculo esteve a cargo da menina Maria Luisa Baracho.

Quanto ao “ponto” ele foi o senhor Manuel Alcobia, homem de pequena estatura mas que tinha um enorme amor ao teatro que sempre se fez em Torres Novas.

Os cenários foram feitos com amor por muitos artistas amadores e à medida que iam sendo feitos eram arrumados no quintal do sargento Caldas, ali à Calçada António Nunes, de onde foram levados para o teatro, ali bem perto.

Os ensaios foram imensos e realizaram-se quase sempre no saudoso Salão de Salvador.

E eis que o espectáculo chegou ao fim.

Aos leitores peço desculpa pelas dezenas de nomes que aqui enunciei, mas se a alegria das pessoas e a sua grata memória, for parecida com a minha, valeu a pena eu ter-vos incomodado.

Somos na grande maioria bons amigos desde a meninice e isso deve-se a esta simples récita de angariação de fundos.

Àqueles que aqui refiro e que se ausentaram, a certeza de que são lembrados com saudade e desejos de nos reencontrarmos um destes dias.

Tinha a sua piada.

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