SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 21:42

Pombos correios – A cirurgia

Regra geral todos os columbófilos baptizam os seus pombos desde pequenos, ou pelo seu aspecto, ou pela bravura ou docilidade, ou por outros quaisquer motivos. Desta forma existem os mais díspares nomes e mesmo aqueles que têm muitos pombos, conhecem pelo nome de baptismo quase todos os seus atletas e às vezes são mais de quatrocentos.

Desta forma ainda em recente publicação relembrei o nome do “Burgos” e da “Caga no ninho”, mas recordo que o Manuel Barquinha tinha a sua “Andorinha”, o Armando Ramos Deus o seu “Hitler”e hoje tem o seu “Barcelos”, o Orlando Milnhalma a sua “Malhada”, o Manuel Pedro dos Santos (Ministro) tinha o seu “Malhado”, o Adriano Alho o seu “21”, o Valdemar de Matos a “Mansinha”, o António Sapateiro o seu “Zangalhão”, o Zé Maria Migas o seu “Zatopek”, o Albano a sua “Bronze” e o Augusto Bernardino a sua campeã, a “Malhada” que tirou excelentes classificações a nível local e distrital.

A “Malhada” era uma verdadeira máquina, marcando sempre bem em todas as distâncias e quase sem descanso vencendo concursos a nível do distrito de Santarém e ajudando o seu dono a ser também Campeão Distrital por diversas vezes.

Ainda mais recentemente a sociedade Afonso, Ramos, Melro & Marto teve no seu macho “Barcelos” um pombo igualmente de muita categoria, belo reprodutor que tem ajudado a sociedade a ser por diversas vezes Campeã Distrital de Velocidade-

Estes os que me recordo pois mesmo sendo de outros ficavam famosos pelos bons resultados que obtinham.

No meu pombal já na minha actual casa, os pombos vieram viver para aqui antes de mim, pois tinham que ocupar o pombal até final de Novembro, para serem aduzidos, crescerem e treinarem para poderem concursar logo na época seguinte com início em finais de Janeiro.

E logo vieram os baptismos. O primeiro pombo a entrar no pombal foi batizado de “Adão” e a pomba seguinte era a “Eva”. Por forças do destino e desobedecendo às escrituras sagradas não se constituíram em casal, tendo cada qual escolhido o parceiro que bem entendeu.

Ambos os borrachos referidos me foram oferecidos pelo amigo Augusto Bernardino, que me deu, para eu reiniciar a actividade, salvo erro mais 12 borrachos de bastante qualidade.

Depois havia o Canito, a Bronze, o Três Listas, a Branca, a Vermelha, o Guia Branca e o Gigante.

No entanto a fêmea que o Adâo escolheu, azul mosqueada, começou a dar-me belos machos azuis listados ou de guias brancas que regra geral eram razoáveis voadores, sem excepção.

Ora para um columbófilo reiniciado como eu era, ter a sorte de ter ali à mão, um bom casal de reprodutores, era uma bênção.

Só que, numa bela tarde, verifiquei que a “Mosqueada” tinha batido num fio elétrico que ali tinha sido colocado no dia anterior e ficou muito maltratada.

Desgostoso e sem muito jeito para veterinário, tive de acorrer à ajuda de dois bons amigos, o Albano e o Bernardino.

Vieram ao meu pombal, verificaram que a fêmea estava muito mal e decidiram operá-la logo ali.

Água oxigenada, tintura de iodo, algodão, uma agulha, linha de cozer e muita habilidade. Depenaram a parte ofendida, desinfectaram e puxaram a pele e cozeram a pomba, que se falasse agradeceria, como eu podia ler-lhe nos seus olhos.

Recupera, não recupera, o que é certo é que com o tempo sarou, em breve recomeçou a voar, a ir a alguns concursos e a dar excelentes filhos.

Tanto o Adão como a Mosqueada foram emprestados quando eu terminei. A fêmea sei que se perdeu. Quanto ao Adão, se ainda estiver vivo estará certamente muito velhote.

O que contou para mim foi a amizade e a solidariedade de dois amigos e columbófilos, que são a prova de que os amigos são para as ocasiões.

A eles sempre o meu obrigado.

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