SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 21 Junho 2021, 23:06

Maria Adelaide – Zabeleta

Conheci a Maria Adelaide algures num palco da região, onde seguramente cantámos os dois e a sua presença e alegria logo me prenderam a atenção, pois para ela as canções têm que ser alegres e divertidas embora nunca desdenhe uma bela canção de amor.

Depois soube que era tia do Necas, do Jorge, da Céu e do Pedro Ferreira e irmã do bem célebre Manuel da Farmácia, figura muito popular em Torres Novas.

Soube também que era natural de Alcanena, terra do seu coração e que nunca renegou, colocando-a sempre no primeiro lugar, mesmo tendo adoptado Torres Novas como a sua segunda e também querida terra.

Com o tempo vim a conhecer sua irmã e um seu sobrinho, o Jorge Frazão, meu colega de tropa na Escola Prática de Cavalaria em Santarém e meu bom amigo.

E soube que o pai da Adelaide tinha a alcunha de Zabeleta, era um poeta e um músico muito popular na região alcanenense.

Depois encontrámo-nos no Phydellius, onde cantou durante largos anos e ali confirmei a sua fibra de mulher e de cantora no naipe dos contraltos.

Depois o fado, as marchas populares e os festivais da canção de Torres Novas, bem como a participação como solistas na Orquestra Típica Scalabitana, dela, do José Manuel Cunha e de mim próprio, não esquecendo o Conjunto Nova Augusta onde participava na parte de variedades.

A Maria Adelaide fez nome em Lisboa e captou a atenção da editora discográfica Riso e Ritmo, trazendo-a aos Festivais da Canção que gravou em dois discos tendo esta mesma editora também gravado alguns festivais da canção do CRIT.

Gravou vários LP de fado e um LP com as Marchas Populares de Lisboa e era cantora habitual em vários programas na rádio e na TV, nomeadamente no Rádio Clube Português , onde pontificavam os seus e nossos grandes amigos Ribas Martins e Fernando Santos com o programa Carroucel, trazendo-os também a Torres Novas a gravar o Phydellius.

Os seus conhecimentos levaram a que tanto eu, como ela e o José Manuel Cunha gravássemos cada um o nosso EP, com duas canções cada.

Foi a Adelaide que nos apresentou a amiga Ema Pedroso, responsável pela RR e também nós ficámos amigos, abrindo-nos as portas de uma possível carreira.

Voltando à Maria Adelaide, desde sempre a vimos a fazer poemas para as letras de dezenas de canções dos Festivais da canção e todos nós cantámos uma ou outra canção com poemas seus.

O mesmo sucedeu, em maior escala, nos Festivais da Canção do CRIT, em que muitas das canções tiveram poemas escrito por si.

A veia da poesia é outra das características da Maria Adelaide, que com a sua forma muito própria de encarar a vida, o mundo, o amor e a natureza, tem feito inúmeros poemas de belo recorte materializados em vários livros de poesia já editados.

Sempre foi uma artista amadora, pois a sua vida profissional passou-a nos CTT, como telefonista desde muito nova até à reforma.

Sempre foi muito popular a Maria Zabeleta como gosta que a chamem em homenagem a seu pai, no trabalho, nas ruas, no Choral, nos fados, nas cantigas, na poesia, na vida. Sempre escreveu e cantou o Alviela, as gentes da sua terra, o Almonda, o mar, o sol, as praias e o vento, as papoilas e os salgueiros, sempre foi menina e mulher em toda a sua alegre vida.

Em tempos mais recentes, encarou conforme soube a partida dos seus sobrinhos Céu, Jorge Ferreira e Carlos Manuel (Necas), sofrendo com muita dor e rezando, rezando muito por todos.

Nunca foi uma mulher banal. Sempre a conheci com o seu temperamento firme e crítico, que sabe o que quer e luta pelo que gosta, sem vacilar.

Amiga do seu amigo, ainda hoje com a idade a avançar é menina para fazer aquilo que gosta, cantar, cantar o fado vadio onde quer que estejam uma viola e uma guitarra.

E daqui lhe envio o meu aplauso que seguramente é extensivo a muitos dos nossos leitores, que como eu sempre a admiraram.

Palmas e um grande “Bravo” para ti Maria Adelaide !

One thought on “Maria Adelaide – Zabeleta

  1. Sempre acompanhei a Maria Adelaide na sua actividade artística, como casado com uma sobrinha Maria José (Zezinha) e vivendo em Montreal Canada convidei-a a actuar num restaurante de boa reputação tendo a mesma aceite onde teve muito êxito durante dois meses.Aqui fica mais uma façanha da sua vida artística .

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