SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 01:05

A “inJustiça”

No mau Estado em que estamos, o sector da Justiça em face da incapacidade crescente que tem manifestado para fazer o que lhe competia, tendo presente o modo escandaloso como tem tratado processos judiciais mediáticos envolvendo gente importante da politica e seus comparsas, ou seja tal como está, é uma aberração despesista, onde directa ou indirectamente se parecem acoitar grandes interesses e negócios altamente lesivos do bem público. Parece aliás funcionar apenas e em geral mancando aqui e ali, quando se trata de punir criminosos provenientes de estratos socio-económicos mais débeis, mais merecendo por isso chamar-se sector da “injustiça”.

É que pesem embora seus elevados custos, insuficiências, dificuldades de gestão e faltas de controlo eficaz, outros sectores-chave da actividade do Estado, como são a saúde, a educação, os transportes, autarquias, a segurança social e até a segurança pública, ao contrário do que acontece com o que deveria merecer chamar-se Justiça, vão cumprindo mais ou menos satisfatoriamente as suas funções, dando em regra idêntico tratamento a todos os cidadãos, independentemente de seu estatuto socio-económico. No que diz respeito á segurança pública, a acção da polícia é condicionada e desencorajada pela acção desta “injustiça”: a polícia prende criminosos a quem com frequência os tribunais depressa concedem liberdade, permitindo-lhes voltar sem prejuízo de maior, às suas actividades ilícitas.

Quando se trata de “gente importante”, a nossa “injustiça apenas parecer “acordar” e actuar, quando os personagens em causa caiem em desgraça e são postos á margem por seus ex-amigos (caso Duarte Lima). Nos restantes, é a pouca-vergonha a que todos temos assistido, de que são exemplos os casos: Isaltino de Morais/IPO, Valentim Loureiro/Quinta do Ambrósio, Felgueiras/saco azul, Sócrates/Freeport/ Maddie, Casa Pia, Face Oculta/ destruição das escutas envolvendo Sócrates por ordem do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e conivência do Procurador Geral (assumindo uma vez mais aqui estes dois personagens, o seu degradante papel de serviçais do poder politico). Deixem que lembre também aqui o caso do Administrador do Supremo Tribunal de Justiça (este também ainda em curso e que como os outros não irá naturalmente dar em nada, até porque envolve uma ex-primeira dama, razão esta que julgo justificar a escassa badalação deste super-escandaloso caso nos “mídia”.

Tem sido um nunca acabar de iniquidades e de falta de actuação e vergonha. Tem sido também uma produção de folhetins que parece nunca terem fim, ou que quando o têm, é sempre um final feliz para os participantes, como é usual e fica bem nos folhetins.

Mas, face aos escandalosos custos desta injustiça, a produção destas novelas fica demasiado cara aos contribuintes. Muito mais do que o caso daquele sem abrigo apanhado a tentar roubar um polvo num supermercado, caso este que igualmente á custa dos contribuintes, foi de imediato julgado e condenado, sem quaisquer consequências aliás, por se tratar de um sem-abrigo sem paradeiro certo nem meios para pagar coimas.

A diferença de tratamento que resulta da prática deste sistema de “injustiça” é uma vergonha que pelo modo como é aplicada, lembra o “Triunfo dos Porcos” de Orwell, com um rigor inversamente proporcional á debilidade económica e social dos arguidos, com níveis inacreditáveis de candura que a tornam totalmente inoperante, quando se trata de “figurões” desta república corrompida até ao tutano. Porque os mesmos parecem estar acima da lei, como fica evidente por exemplo nas situações atrás referidas.

Para além do sistema estar configurado para dar diferente tratamento aos cidadãos, em função das suas capacidades económicas (dependendo do dinheiro existente para advogados, recursos e outros tipos de manobras dilatórias consentidas), a lentidão e atraso no andamento dos processos, põe-nos ao nível de alguns países mais atrasados de entre os países do 3º mundo.

Sendo em minha opinião detentores de grandes e escandalosos privilégios que foram acumulando, os juízes em geral, ganharam na sociedade portuguesa a imagem de protectores dos mais poderosos e ricos, incluindo políticos corruptos e criminosos de elevado estatuto. E algumas honrosas excepções conhecidas a esta regra, que tentaram actuar com equidade, tratando gente da “nomenclatura” como se de vulgares cidadãos se tratasse, sujeitaram-se a sofrer prejuízos na sua vida, actividade e carreira profissional como aconteceu com Rui Teixeira, actor no “folhetim” Casa Pia.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados